Mauricio Della Barba
De Londrina
Um aterro irregular na margem da Rodovia Celso Garcia Cid (PR-445), zona sul de Londrina, em frente à sede do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), pode comprometer e até destruir por completo a nascente do córrego Tucanos, que deságua no Ribeirão Cambé, logo após a barragem do Lago Igapó 1.
A denúncia de irregularidade foi feita esta semana pela Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), através de um parecer de laudo ambiental assinado pelo diretor-técnico Marcelo Plínio Arruda e pela geógrafa Márcia Regina Arantes. ‘‘O aterramento foi realizado sem controle nenhum e está estreitando a margem do córrego’’, explicou Arruda.
O laudo informa que o aterro, feito por entulhos de construção civil, não estaria respeitando o limite de 50 metros de distância da nascente. ‘‘Consequentemente, com o passar do tempo, o nível da água diminuirá, podendo levar ao assoreamento total da nascente’’, alerta o laudo ambiental.
Para resolver a situação, a AMA solicita a paralisação imediata do aterro e a recuperação da área com plantio de espécies nativas, como bananeiras, mamona, santa bárbara e gramíneas, num raio mínimo de 50 metros.
A AMA já enviou o laudo ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP), para a Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), responsáveis pela fiscalização da área, e também para o responsável pelo aterro.
A área onde está o aterro faz parte do terreno da madeireira Curupay, de propriedade de Roger Candotti. O empresário já havia sido alertado sobre o problema em outubro do ano passado, quando um funcionário do Iapar denunciou o despejo dos entulhos. A Folha chegou a noticiar o fato e na ocasião, Candotti se defendeu afirmando que o aterro estaria sendo feito de forma correta e sem prejudicar as nascentes do Tucanos. Seu objetivo era nivelar o terreno da madeireira com a rodovia PR-445. O IAP disse estar ciente da denúncia e que tomaria as decisões cabíveis no caso.
Ontem, ao ser informado do laudo realizado pela AMA, Candotti disse que já havia paralisado o aterramento da área em novembro, quando foi notificado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). ‘‘Além de parar de aterrar, comecei a revitalizar a área, como o Ibama me indicou. Estou tomando as devidas providências para não causar nenhum problema com a nascente do córrego’’, disse Candotti.
De acordo com o analista ambiental do Ibama, Odair Antonio Siqueira, Candotti terá também que retirar parte do aterro despejado na área. ‘‘Acredito que será necessário afastar uns 15 metros do aterro perto da nascente’’, explicou Siqueira. A área exata a ser retirada deverá ser medida por um técnico topográfico da prefeitura até o próximo mês.
O analista também disse que as pequenas represas abertas pelo empresário no fundo da madeireira terão que ser removidas ou cobertas com terra. ‘‘Vamos estudar qual será a melhor opção para não prejudicar o ambiente’’, informou Siqueira.Laudo ambiental da AMA aponta que o aterramento foi feito sem controle, a menos de 50 metros da nascente do córrego, podendo destruí-la
Dorico da SilvaRiscoO aterro está às margens da rodovia PR-445: além de ameaçar a nascente do Tucanos, o entulho também está estreitando as margens do córrego

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