Os moradores da região da Usina Três Bocas (Zona Sul) criticaram ontem a forma de condução do debate sobre a escolha do local para instalação do novo aterro sanitário em Londrina. Após reunião pública com representantes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), a comunidade recebeu prazo de cinco dias para elaborar um documento com argumentos contra a implantação na área.
A região da Usina Três Bocas é uma das três áreas cotadas para receber o aterro sanitário. As outras são o Distrito de Maravilha e a Estrada Coroados, também na Zona Sul. Para o presidente do Conselho Local de Desenvolvimento Rural da Usina Três Bocas, Marco Aurélio Carvalho, deveria haver uma discussão mais ampla. ''É um problema da cidade inteira. Tem de ser bastante trabalhado'', afirmou.
Carvalho declarou ter pedido um prazo maior para elaborar a argumentação contra a instalação do aterro na Usina. Segundo o presidente da CMTU, Wilson Sella, a última reunião pública está marcada para 28 de abril no Patrimônio Selva. As dúvidas dos moradores serão avaliadas por uma Câmara Técnica constituída por representantes do Iap, CMTU, Ibama e Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''Não esperava que eles gostassem (da possível instalação do aterro na área). O papel da reunião pública é explicar que a escolha é técnica e não aleatória'', salientou.
Uma das preocupações da comunidade é a fragilidade do asfalto na região. ''A estrada aqui não tem sinalização e não teria condições de suportar o intenso tráfego de caminhões'', avaliou a jornalista Flora Neves, moradora da área. Carvalho destacou ainda o problema da destinação dos resíduos do aterro sanitário, que poderiam contaminar afluentes do Rio Tibagi.
Elinton Bembem, da área de fiscalização e licenciamento do IAP, explicou que existem três possibilidades para tratamento do chorume: bombeamento para a Estação de Tratamento da Sanepar ou para outra bacia ou um sistema de evaporação. ''Os moradores também alegaram que a região já abriga uma central particular de compostagem orgânica'', revelou Bembem. A audiência pública para definição da área será no final de junho.
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