Atentados à flora, fauna e pesca têm 574 ocorrências
Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
A Polícia Florestal de Foz do Iguaçu divulgou, ontem, um levantamento das prisões e apreensões ocorridas dentro dos 185 mil hectares do Parque Nacional do Iguaçu durante os últimos 12 meses. No balanço foram registradas 574 ocorrências envolvendo atentados à fauna, flora e pesca ilegal no Lago de Itaipu e nos rios Paraná e Iguaçu. O trabalho dos 30 policiais do pelotão resultou na prisão de 55 pessoas, sendo 16 ligadas ao corte ilegal de árvores nativas e palmiteiros, além de 30 pescadores com material de pesca irregular e outros nove caçadores portando armas dentro do Parque.
Para o tenente Renato Marchetti, comandante da Polícia Florestal em Foz, o grande número de prisões e apreensões reflete o bom trabalho desenvolvido pela equipe, mas mostra também que a audácia dos invasores está cada vez maior. Somente a apreensão de palmitos chegou a 5,5 mil unidades. Desses, 4.995 foram encontrados em conserva, sendo embalados irregularmente sem quaisquer condições de higiene. Esses números demonstram que mais de 5 mil palmiteiros foram cortados dentro da reserva, entre eles a espécie Jussara, encontrada somente na região oeste do Paraná e que já corre risco de extinção.
Junto com os caçadores foram apreendidos 17 espingardas e cinco revólveres, além de 147 animais presos ou mortos, entre aves, répteis e mamíferos. O maior número de ocorrências (410) foi registrado no Lago da Usina de Itaipu e nos rios Paraná e Iguaçu. Foram apreendidos seis barcos, 4 mil metros de rede e 7,8 mil metros de espinhéis. Os policiais encontraram com os pescadores cerca de 180 quilos de peixe, todos abaixo do peso permitido ou pescados em época de piracema, o que é proibido por lei.
Foram registradas ainda outras 87 ocorrências que não estão ligadas diretamente ao trabalho de preservação, como questões de trânsito, porte ilegal de armas e roubos, todos acontecidas fora do Parque Nacional.
Com esse levantamento em mãos, o tenente Renato Marchetti espera agora que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) renove o convênio com a Polícia Florestal, que ontem completou dois anos de vencimento. O convênio, renovável de quatro em quatro anos, previa o subsídio para aquisição e manutenção de barcos, combustível e outros equipamentos e materiais utilizados pelos policiais dentro do Parque Nacional do Iguaçu. A corporação aguarda para breve uma resposta positiva da superintendência do Ibama, em Brasília.





