Atendimento pelo HC deve aumentar
O Hospital de Clínicas (HC) é o que mais atende SUS no Paraná. Na condição de hospital público, a meta é ampliar ainda mais o atendimento. De 1997 para 1998, o hospital registrou aumento de 12,5%. O compromisso social do HC vai além das limitações momentâneas, afirma o diretor médico do hospital, Niazy Ramos Filho. Temos que buscar outros mecanismos de financiamento para o hospital.
Hoje, o HC tem um déficit mensal de R$ 500 mil. Um dos problemas é que existem procedimentos realizados pelo HC que não constam da tabela do SUS. Estamos trabalhando com as secretarias estadual e municipal de Saúde para que levem ao ministério a necessidade da criação desses procedimentos, afirma Ramos Filho.
O hospital atende de 90 a 110 mil pessoas por mês - 50% de Curitiba, 30% da Região Metropolitana de Curitiba e 20% de outros municípios do Paraná e outros Estados. A procura é ainda maior, mas nem todos conseguem ser atendidos.
Mensalmente, o hospital faz 1.600 internações, 1.200 cirugrias, 61 mil consultas ambulatoriais, 18 mil consultas de pronto-atendimento e 86 mil exames laboratoriais.
As consultas de clínica médica geralmente têm espera de 15 dias. As de áreas mais especializadas podem demorar seis meses. As cirurgias de emergência podem ocorrer até no mesmo dia, dependendo da gravidade do caso. O problema ocorre com as eletivas. O paciente pode esperar até um ou dois anos.
Na área de ortopedia, as marcações estavam sendo feitas para dois anos. O hospital decidiu parar de marcar novas cirurgias para conseguir dar conta das que já estavam agendadas.
Hierarquia - Por ser um hospital de referência, o HC recebe muitos pacientes de fora e que, muitas vezes, nem passam pelos postos de saúde. Pessoas que poderiam ser atendidas em sua cidade ou nos postos de Curitiba acabam aumentando a fila de atendimento do HC.
Para evitar a procura desnecessária e fazer com que os pacientes sejam atendidos mais rapidamente, o HC está negociando uma solução com a Secretaria Municipal de Saúde. Segundo Ramos Filho, uma das idéias é hierarquizar o serviço - fazer com que as pessoas sejam atendidas primeiramente nos postos de saúde e lá seja feita a triagem.
A dona de casa Maria Francisca Braga, 60 anos, é de Almirante Tamandaré, município da Região Metropolitana de Curitiba, mas prefere procurar o HC quando precisa. Segundo a cunhada dela, Ilda Maria Braga, 45 anos, é difícil ser atendida nos postos do município. Na semana passada, Maria Francisca estava no HC para fazer exames para achar a causa das constantes dores de cabeça.
A cabeleireira Guilhermina Helfenstein, 64 anos, é de Gaurama (RS). Na cidade onde mora, os médicos não descobriram o que ela tem. Guilhermina poderia marcar consulta em Porto Alegre, mas, como tem parentes em Curitiba, preferiu procurar o HC. Sempre tenho desmaios. Tentei marcar consulta com um neurologista, mas, como ia demorar, estou tentando trocar para um clínico geral.(A.C.)





