Atendimento no PAI pode ser recorde este mês
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quarta-feira, 14 de maio de 2008
Luciano Augusto e Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Pacientes que buscaram atendimento no Pronto Atendimento Infantil (PAI) nos últimos dias tiveram que esperar por até mais de cinco horas pelo atendimento. Por outro lado, os médicos em serviço chegaram a atender quase 100 pacientes por dia, tamanho foi o aumento da demanda. A aposta é que se este ritmo se mantiver até o final do mês, a unidade deve atingir o recorde histórico de mais de 9,1 mil crianças atendidas. No limite de sua capacidade e sem expectativa para uma ampliação a curto prazo, a situação beira a calamidade.
Na noite da última terça-feira, a FOLHA esteve no PAI e constatou que dezenas de pacientes aguardavam no saguão de entrada e no lado de dentro. Recém-nascidos, crianças pequenas e com pouco mais de idade se amontoavam nas cadeiras e até no chão ou choravam nos colos dos pais. A lista de espera ultrapassava os 50 nomes. Ontem, a situação se repetiu. A tranquilidade do começo da manhã rapidamente se dissipou e o tempo de espera não era menor do que quatro horas.
Com o filho de um ano e seis meses sofrendo com uma infecção urinária, Ana Paula Carvalho precisou procurar a unidade por três vezes até conseguir ser atendida: na segunda à noite, ela esperou por cinco horas; na terça à noite mais quatro e ontem pela manhã a situação se repetiu. A fila de espera, segundo ela, chegou ao máximo de 80 crianças. '' Falaram que tem muita gente e pouco médico para atender. Acho isso uma vergonha'', desabafou.
Por volta das 15 horas de terça-feira, Edinho Fraga deixou a filha adolescente acompanhando o filho pequeno e quando chegou em casa, à noite, os dois ainda não haviam retornado. Por volta das 20 horas, a previsão era de que o menino só seria atendido após as 22 horas. ''Todo político esquece da saúde pública depois que é eleito. Se eles precisassem deste atendimento iam ver como estão sendo atendidos seus eleitores'', criticou.
Com uma crise de sinusite, o filho de sete anos de Lauro de Souza chegou por volta das 19h30 de terça no Pronto Atendimento. O pai disse que não tinha nem idéia de quando seria atendido e se conseguiria fazer todos os exames. ''Ele vai precisar de fazer raio-X mas nem sei se dá por causa do horário'', apontou.
Ontem pela manhã, algumas mães chegaram cedo com os filhos para garantir atendimento mais rápido. Foi o caso Elisângela Ciz, que levou o filho Lucas Gabriel Ciz Mendes, de quatro anos, para ser medicado por causa de uma sinusite: ''Cheguei cedo para não esperar muito tempo. Na semana passada, esperei três horas pelo atendimento'', afirmou.
Gláucia Renata Cardoso também chegou cedo com o filho Francisco Emanuel Cardoso Sola, de apenas seis meses. Há dias com tosse, resfriado, febre e conjuntivite, o bebê conseguiu atendimento logo cedo e por volta das 8h30 já estava voltando para casa com os pais.''Hoje foi rápido'', comemorou a mãe.
A pequena Maria Eduarda Polpeta, de apenas três anos, também foi atendida bem cedo. Com vômito e diarréia, a menina que estava acompanhada da mãe, Fabiana Polpeta, não enfrentou fila. ''Vai ser mais rápido hoje. Tem pouca gente'', declarou Fabiana. Pouco tempo depois, no entanto, o movimento voltou a crescer e quem chegou mais tarde precisou ter paciência para ser atendido.


