Lino Ramos
De Londrina
Especial para a Folha
O problema da superlotação que atinge os hospitais de Londrina chegou ao Pronto Atendimento Infantil (PAI). Segundo o diretor-clínico do PAI, Jonilson Favareto, o problema começou há duas semanas e obrigou a instituição a suspender o atendimento por até três horas durante o dia e optar pelos casos de emergência.
Quem chega ao PAI em momentos de superlotação encontra cartazes orientando o paciente a procurar os Hospitais Zona Norte, Zona Sul ou Universitário. Favareto explica que as interrupções são necessárias para manter a qualidade do atendimento. ‘‘Há um risco maior de errar se continuarmos atendendo sem restrição.’’
Segundo Jonilson Favareto, o ‘‘estrangulamento’’ é provocado pelo aumento de até 40% nas doenças respiratórias durante o inverno e pelos pacientes enviados ao PAI pelas prefeituras da região. ‘‘Temos um volume de 20% a 30% de pacientes de fora. Isso está atrapalhando muito. As prefeituras lotam kombis e deixam as pessoas a 50 metros do PAI. As confusões, brigas e reclamações por atendimento estão sendo causadas por essas pessoas de fora. Em vez de procurar Londrina elas devem pressionar o prefeito e os vereadores de seus municípios a contratar médicos’’, comenta Favareto.
O Pronto Atendimento Infantil entrou em funcionamento em 27 de março e até o mês de junho 1.700 crianças passaram pela enfermaria da instituição. A direção do PAI afirma que apenas 14% desse total precisou ser encaminhado aos hospitais. A média de atendimentos é de 7 mil crianças por mês e 300 diariamente. Em cada turno são três pediatras, uma enfermeira e 11 auxiliares de enfermagem. A enfermaria do Pronto Atendimento Infantil possui 12 leitos e mais um quarto de isolamento.
Segundo o diretor-clínico do Hospital Infantil, Álvaro Luiz de Oliveira, o Pronto Atendimento Infantil diminuiu em até 50% o número de crianças encaminhadas ao hospital. Oliveira entende que o hospital terciário não deveria fazer atendimentos ambulatoriais e só realizar os procedimentos de emergência. Em fevereiro, antes da inauguração do PAI, o Hospital Infantil atendeu uma média de 1.150 crianças pelo Sistema Único de Saúde. Em junho o número de atendimentos pelo SUS caiu para 440.
O diretor-clínico do PAI, Jonilson Favareto, também reclama que mesmo em consultas ambulatoriais, a população procura o Pronto Atendimento Infantil antes de passar em um posto de saúde.Quem chega ao PAI em horário com excesso de pacientes encontra cartazes orientando a procurar um outro hospital
César AugustoNO LIMITESuperlotação é causada pelo aumento das doenças respiratórias e grande procura de pacientes de fora de Londrina, afirma Jonilson Favareto, diretor-clínico do PAI

mockup