Atendimento no HU é suspenso por tempo indeterminado
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segunda-feira, 20 de abril de 2009
Luciano Augusto<br>Equipe da Folha 
Londrina - O rastro de perigo deixado pela bactéria multirresistente ''Kebsiella'', que contaminou pelo menos oito pacientes do Hospital Universitário (HU) de Londrina, atingiu uma proporção sem precedentes na história da instituição. O problema causou a interdição completa das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e praticamente paralisou o atendimento, também, no pronto-socorro: o mais movimentado do Interior do Paraná, com uma média diária de 100 atendimentos. Essa situação, segundo a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), não tem data para voltar ao normal.
Em entrevista coletiva na tarde de ontem, a médica coordenadora da CCIH, Cláudia Carrilho, apontou que as interdições são fundamentais para conter a disseminação da bactéria. Ela explicou que os oito pacientes contaminados e os sete suspeitos foram isolados nas UTIs (onde estão 17 pessoas), que só serão liberadas quando todos os leitos ficarem vagos. A questão é que são pacientes muito graves e alguns estão internados há mais de um mês. A CCIH estuda isolar esses doentes em um outro setor para fazer a desinfecção do ambiente, um processo demorado porque é preciso lavar e desinfetar equipamentos, paredes e até o sistema de ar condicionado.
Enquanto as UTIs estiverem interditadas, o atendimento nos prontos-socorros médico, ortopédico, obstetrício e cirúrgico ficará restrito. Samu e o Siate estão evitando encaminhar pacientes ao HU.
A bactéria é perigosa sua resistência por ser de fácil disseminação. A contaminação teria se dado por meio de um paciente acidentado, morador da região, e que veio transferido de Goiás, em meados de fevereiro. Ele permaneceu no pronto-socorro por vários dias. A suspeita foi levantada porque ele apresentava febre o tempo todo. Exames confirmaram a presença da bactéria.
O paciente teve alta, mas, no início de março, surgiu o segundo caso, em uma paciente de UTI. No dia 23 do mês passado, foram confirmados mais cinco casos e oito suspeitas e a CCIH decidiu pela interdição da UTI e a restrição da entrada no pronto-socorro. Na última sexta-feira, já eram oito confirmações e mais sete suspeitas, que aguardam o resultado dos exames para amanhã ou depois. Cláudia afirmou que, embora tenham sido adotadas todas as medidas de precaução entre funcionários, pacientes e visitantes, o risco de novas contaminações persiste.
A médica do HU garantiu que a CCIH não falhou e culpou a superlotação. ''Não houve falha, tudo que foi preconizado foi feito, mas infelizmente é um número muito grande de pessoas que tem que se controlar. A superlotação colaborou porque vários pacientes entubados ficaram no PS por vários dias, acabaram subindo para a UTI e provalvelmente, nesse meio tempo, houve o contato com o caso inicial'', estimou.


