Maringá - A denúncia da família do garoto João Vitor Gomes da Silva, 3 anos, que morreu anteontem, vítima de meningite meningocócica, tipo mais grave da doença, vai se somar a outros inquéritos que apuram negligência médica, no sistema de saúde pública de Maringá. O tio do garoto, Luiz Soares da Silva registrou uma ocorrência na delegacia que se transformou ontem em inquérito policial. A família critica, principalmente, o primeiro atendimento a João Vitor, no Hospital Universitário, cujo diagnóstico foi de faringite.
O delegado responsável pelo 3º Distrito de Maringá, Paulo Roberto Machado, já indiciou um médico por homicídio culposo e investiga outros três casos de negligência no atendimento da sáude pública no município. Dos quatro inquéritos, três são de pessoas atendidas no Núcleo de Saúde Integrada (Nis 3) do Posto da Zona Norte, localizado no Jardim Alvorada, bairro mais populoso de Maringá. ''Todos os inquéritos encaminham para o indiciamento por homicídio culposo de médicos e também enfermeiras'', afirmou o delegado. O 3º Distrito abrange a área do Jardim Alvorada.
Segundo Machado, em dois casos as denúncias foram feitas pelos próprios familiares. Entres eles, o do bebê Ryan França, de dois meses, morto em junho deste ano. O caso chamou a atenção pelo fato de que na radiografia retirada do tórax do bebê, o coração estava bastante inchado, mas o médico prestou atendimento como sendo um problema no pulmão. A escrivã do distrito chegou a mostrar a radiografia para alunos do quarto ano de Medicina da Universidade Estadual de Maringá (UEM) que em uma rápida avaliação disseram que se tratava de um exame em um bebê com problema no coração.
A outra situação denunciada pela família é do aposentado Jaime Góis da Silva, 72 anos, morto em junho. O aposentado foi atendido no Nis 3 com pressão baixa e fala enrolada, e depois de sofrer dentro do posto um problema cardiovascular, acabou sendo transferido para um hospital de Campo Mourão (80 km de Maringá). O delegado questiona a transferência porque o estado de saúde do aposentado era apontado pelos próprios médicos como ''gravíssimo'' e não suportaria uma viagem como de fato ocorreu.

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