Atendimento na Ciretran irrita usuário
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segunda-feira, 02 de junho de 1997
Célia Baroni 
O vendedor Edinaldo Sacoman, 30 anos, está revoltado com o mau atendimento da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Londrina, do qual diz ter sido vítima. Ele acusa o órgão de descaso com o usuário e denuncia a falta de informação para quem precisa do serviço. Sacoman diz que foi obrigado a voltar à Ciretran por três vezes e, mesmo assim, não conseguiu concretizar a transferência do veículo Santana, ano 89, comprado recentemente.
A primeira vez que esteve na circuscrição foi na quarta-feira, às 14h30. A Ciretran funciona das 8h30 da manhã às 15 horas. Naquele dia, não conseguiu ser atendido porque houve problema de comunicação no sistema do posto do Banestado, que funciona na sede da Ciretran para recolher as taxas.
Tudo bem. Aproveitei para mostrar a documentação no guichê de informações para saber se estava completa ou se precisaria de mais alguma coisa, conta.
Ao comprar o carro, Sacoman transformou o seu sistema de funcionamento de álcool para gasolina. E foi informado, na Ciretran que precisaria apresentar uma declaração confirmando a transformação ou a nota fiscal do serviço. Ontem de manhã (sexta-feira), por volta das 9h40, ele se apresentou ao guichê com a documentação, mas foi informado de que a declaração só poderia ser aceita depois de autenticada em cartório.
Eu preferi, então, voltar para casa e pegar a nota fiscal, afirma. Sacoman mora no Conjunto Gayon (zona leste). Voltou à Ciretran às 13 horas, entrou na fila e foi atendido às 13h20. O moço do guichê até me reconheceu. Mas disse que eu tinha levado azar porque não tinha mais senhas e eu não conseguiria ser atendido. Foi só então que eu perdi a paciência. É muita falta de respeito, reclama. O vendedor defende que, se o horário de funcionamento da Ciretran é das 8h30 às 15 horas, o atendimento tem de ser prestado mesmo quando o usuário chegar às 14h55.
Até os bancos têm mais respeito. Fecham as portas, mas quem está dentro é atendido. Se a Ciretran não tem estrutura para isto, precisa providenciá-la, afirma. Ele reclama ainda que o usuário precisa ser informado sobre como proceder. Se tivessem me avisado que não adiantava chegar depois da uma hora da tarde eu teria chegado antes ou nem teria voltado, afirma. Para o vendedor, o descaso do atendimento tem o objetivo claro de incentivar o usuário a usar os serviços dos despachantes.
O chefe da Ciretran, Arlindo Barbosa, diz que compreende a irritação do vendedor. Mas nega que tenha havido descaso no atendimento. Buscamos informar sempre corretamente a todos os que nos procuram. Mas, às vezes, é impossível evitar desentendimentos, argumenta. Ele esclarece que não existe mais um limite definido de distribuição de senhas. O número de senhas depende do ritmo de chegada dos usuários e do atendimento do posto bancário que recebe as taxas. Não adianta dar entrada no processo se não houver como recolher as taxas, afirma.
O posto de atendimento do Banestado na Ciretran funciona no mesmo horário da Circunscrição. O desligamento do sistema é feito, automaticamente pela agência central. Arlindo Barbosa complementa que o atendimento, do guichê até o pagamento das taxas, sem contar o tempo das filas, demora em média meia hora. Mesmo controlando as senhas, não é raro acontecer do banco fechar antes de atender os últimos da fila, diz.
Barbosa afirma que o caso de Edinaldo Sacoman foi circunstancial. Ontem, quando a Ciretran abriu as portas, havia 60 pessoas aguardando na fila para serem atendidas e, até às 13 horas, haviam sido distribuídas 80 senhas - a média de atendimento é de 70, durante todo o horário de funcionamento.
Para piorar, o ritmo de atendimento do Ciretran estava mais lento porque seis de seus 35 funcionários faltaram e quatro funcionárias novas estavam prestando atendimento. Elas ainda não têm muita agilidade. A demora, diz, causou até briga.


