Atendimento hospitalar é 'dignosticado'
Érika Pelegrino
De Londrina
Mortes em hospitais secundários por falta de vagas em hospitais terciários e prontos-socorros que fecham as portas são problemas graves na saúde pública e se tornam mais frequentes no inverno, quando a incidência de doenças respiratórias e cardíacas provocam aumento na demanda de atendimentos.
Recentemente, dois bebês recém-nascidos morreram no Hospital da Zona Norte antes que se conseguissem transferência para um hospital terciário, devido à superlotação. Luís Fernando Rodrigues, plantonista e diretor-clínico do estabelecimento, afirma que no período de inverno a demanda aumenta entre 20% e 30%. O pronto-socorro do hospital, com oito leitos para adultos e cinco para pediatria, neste período costuma ficar superlotado com pacientes internados inclusive nas 10 macas.
A área de observação acaba sendo utilizada para internação. O diretor-clínico explica que um hospital secundário tem como papel atender casos de relativa complexidade - alguns traumas cranianos, alguns tipos de derrames, alguns quadros respiratórios e cardíacos - que ficam em observação para verificar como evoluem.
Quando a evolução destes quadros é ruim exige-se a transferência para os hospitais terciários, que são equipados para atender casos de alta complexidade. É quando, segundo Luís Fernando Rodrigues, surgem as dificuldades, pois é complicado conseguir vaga para efetuar a transferência.
Também recentemente, um paciente com menigite teve que ficar internado no Hospital da Zona Norte um mês e meio, por falta de vagas em hospitais terciários, conforme relata Luís Fernando. Sem estrutura para atender estes casos, o diretor-clínico explica que inventou-se uma UTI, comprometendo o resto do atendimento. Nestes casos é preciso deslocar profissionais para ficar exclusivamente com o paciente, esclarece.
Luís Fernando afirma que o Hospital da Zona Norte trabalha com 56 leitos e seis funcionários, suficientes para a demanda se o hospital não tiver que atender casos mais complexos, tendo que deslocar funcionários. O diretor-clínico aponta soluções que não passam por construção de mais hospitais ou criação de mais leitos, alternativas que são muito caras.
A solução, para ele, está em uma maior comunicação entre os hospitais, entre médico/paciente, internação domiciliar e uma campanha de educação. Segundo ele, é preciso criar um fluxo correto de atendimento, no qual os pacientes passam primeiro pelos postos de saúde, se necessário são encaminhados para os hospitias secundários, e de lá para os terciários quando o caso exigir.
Para isso, acrescenta, é necessário que se faça uma campanha de educação da população e que se estabeleça uma melhor comunicação dos médicos dos postos de saúde com os pacientes. Hoje é comum a duplicidade de consulta, provocada pelo paciente que diz não ter sido esclarecido sobre sua doença no posto de saúde, afirma Luís Fernando. Eles procuram o hospital só para saber melhor sobre os sintomas que estão apresentando.
A ampliação do horário de atendimento das internações domiciliares - de 10 horas diárias para 24 horas - é uma outra alternativa apontada por Luís Fernando. Pacientes que necessitam de medicação intravenosa - que exige supervisão médica 24 horas - poderiam ter o tempo de internação reduzido.
Luís Fernando afirma que hoje alguns pacientes que poderiam ser encaminhados para internação domiciliar não são por dois motivos: por opção do médico, que prefere deixar o paciente no hospital, ou, em alguns casos, por desinformação do profissional a respeito do serviço.
Com capacidade para 130 pacientes, a internação domiciliar opera com apenas 85% de ocupação. Trabalham no serviço 5 médicos, 5 enfermeiras e 22 auxiliares de enfermagem. Outra deficiência de comunicação que torna o problema de superlotação ainda mais grave, na opinião de Luís Fernando, é a falta de comunicação entre hospitais terciários, secundários e internação domiciliar. É necessário estabelecer uma comunicação que facilite o trânsito de um hospital para outro. Hoje isto não acontece, diz.Problemas detectados na rede pública de saúde levam profissionais a analisar e sugerir alternativas para melhorar o setor
Arquivo FolhaLOTAÇÃO E IMPROVISOHospitais superlotados, problema que se agrava no inverno, quando a incidência de doenças respiratórias e cardíacas provocam aumento na demanda de atendimentos. Em alguns estabelecimentos, pacientes ficam internados em macas e a área de observação acaba sendo utilizada para internação





