Atendimento é negado na operação
Durante uma blitz em um bar localizado no Jardim São Lourenço, conselheiros tutelares negaram atendimento a um menino de apenas 10 anos, que procurava alguém do órgão para atender o pedido de sua mãe. O menino, que saiu de casa depois das 22h, descalço, foi até um dos veículos do Conselho Tutelar, com a ajuda da imprensa, alegando que a mãe discutia com o irmão de 14 anos, possível usuário de drogas.
A conselheira, que acompanhava o comboio, disse que o caso seria para a polícia e não para o Conselho. A equipe da FOLHA foi até a casa do menino, que fica ao lado do bar e falou com a mãe, a podóloga Vera Lúcia Costa. Desesperada, a mulher, que mora com os três filhos, buscava ajuda do conselho para cuidar do adolescente. ''Ele está vendendo os objetos de casa para pagar traficantes. Ontem levaram meu botijão de gás, hoje cedo comprei outro e agora a noite já não estava mais aqui para eu preparar jantar para os menores. Tenho outros dois filhos de 10 e 4 anos e eles ficam em casa com o de 14, que acaba trazendo bandidos para cá. Não sei mais o que fazer'', disse.
A equipe do Juizado de Menores e o tenente Reis, da PM, responsável pela operação da noite, orientaram-na a procurar a Promotoria da Vara da Infância e Juventude. ''Você pode informar que o Conselho se negou a vir até aqui para checar seu caso'', disse uma das fiscais do Juizado.
Consultada pela FOLHA, a ex-presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Londrina, Camila Kauan Menezes (o CMDCA está passando por um processo de troca de diretoria), afirmou que, nesse caso, ''houve sim'' negligência do órgão. ''Eles deveriam conversar com a mãe, inclusive por terem visto uma criança de 10 anos exposta, em risco'', disse.
Serviço
Denúncias como esta podem ser encaminhadas para o Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCA). O telefone é o 3372-4309.





