Menos de duas semanas depois de inaugurado, o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Universitário (HU) de Londrina permanece com 11 de seus 16 leitos ocupados, sendo três na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ao todo, 13 pacientes, vindos de várias cidades paranaenses, já foram internados no local. A rotatividade é baixa devido à gravidade dos ferimentos e à necessidade de cuidados especiais e de mais tempo para recuperação.
  Essa permanência, que pode variar de poucos dias até semanas ou meses, tem criado no novo setor do HU uma relação de intimidade entre servidores e pacientes. ‘‘Eles tratam a gente com carinho, como se fosse da família. Assim que é bonito’’, elogiou Sebastião Rodrigues dos Santos, que está com dois filhos internados no CTQ.
  Santos contou que Giovana, de 10 anos, e Carlos Vinícius, 4 anos, estavam dormindo em sua casa, em Leópolis, quando um incêndio iniciado na parte externa da casa atingiu o colchão onde estavam. Ambos tiveram as duas pernas queimadas, além de braços e costas. Encaminhadas para um hospital em Cornélio Procópio, as crianças passaram três dias internadas até serem trazidas para Londrina, na última sexta-feira. ‘‘Aqui o atendimento é bem melhor, tem mais atenção até para a gente que é pai. Eles até estão se recuperando mais rápido’’, comparou, esperançoso de que Giovana recebesse alta ainda esta semana.
  ‘‘O atendimento é muito bom. Nem dá para ficar mal por estar em um hospital, porque, mesmo sentindo dor, os funcionários chegam brincando com você, eles atendem com alegria’’, concordou o porteiro Roberto Soares, de Cambé. Soares está internado desde domingo devido a queimaduras de segundo grau na mão direita. ‘‘Foi um segundo de bobeira. Estava mexendo com cola industrial, acendi um cigarro e pegou fogo na lata da cola. Aí eu meti a mão para que não acertasse a minha cara, mas espirrou cola na mão’’, relatou.
  Essa foi a segunda vez em que Soares precisou ser hospitalizado em decorrência de uma queimadura. Há 16 anos, ele queimou a perna com soda cáustica e foi internado em Cambé. ‘‘Na época, a perna ainda infeccionou. Se tivesse vindo aqui, acho que tinha me recuperado mais rápido e ficaria com menos marcas’’, comentou.
  Segundo a enfermeira-chefe do CTQ, Margarete de Araújo Andrade, esse atendimento diferenciado faz parte de todo um trabalho de humanização ao atendimento à saúde no hospital. A enfermeira admite, porém, que o maior tempo de permanência de cada paciente no setor leva profissionais e pacientes a estabelecer uma relação mais próxima. ‘‘Nosso envolvimento com o paciente é maior devido à convivência diária. A gente fica feliz ao acompanhar a melhora, e sofre junto quando ele piora’’, revelou.
  Margarete lembra que o diálogo também é constante entre os fisioterapeutas, nutricionistas, cirurgiões, clínicos e enfermeiros que atendem no local. ‘‘Temos uma equipe multiprofissional, proporcionando um atendimento mais global e cuidados diferenciados. Tudo isso contribuiu para uma recuperação bem mais rápida do paciente’’, ressaltou.

mockup