Atendimento ambulatorial já é comum
A discussão sobre a substituição do internamento hospitalar por atendimento ambulatorial começou a virar prática principalmente nos últimos dois anos, segundo o diretor substituto do Hospital Pinel de Curitiba, o psiquiatra e psicanalista Sérgio Seishim Kaio.
No Paraná, o Hospital Pinel foi o pioneiro no atendimento em regime parcial. O trabalho começou no ano passado. Hoje, 124 pacientes, de um total de 288, são atendidos durante o dia e voltam para casa à noite. A doença mental não pode ser algo que isole o paciente. Caso contrário, o problema pode piorar, diz Kaio. A tentativa de diminuir as internações pretende manter o vínculo familiar.
O Pinel trabalha com a idéia de que as pessoas podem se recuperar desde que tenham o atendimento correto. O tratamento deve ter continuidade, segundo Kaio. O paciente deve sentir que há pessoas interessadas no contato com ele, diz. Queremos que ele entenda que não é doente, mas que tem dificuldades que podem ser solucionadas.
A recaída pode ocorrer quando não há continuidade no tratamento ou mesmo durante a recuperação. O processo de conscientização da realidade é doloroso. O paciente pode sofrer ao se ver perturbado.
Além das tratadas em clínicas e hospitais, há várias pessoas com perturbações latentes, segundo Kaio. Esses casos podem ser prevenidos, principalmente com um bom relacionamento familiar.
Família - Muitas famílias rejeitam a pessoa com distúrbio mental. É o caso de vários internos do Complexo Médico Penal (antigo Manicômio Judiciário). Hoje, 30 pessoas que poderiam estar livres continuam no complexo por não terem familiares ou instituições que se responsabilizem por eles. O Ministério Público está sendo acionado para solucionar o problema. A idéia é que se tenha um curador responsável pelo interno. A maioria está no complexo por ter praticado crimes contra a própria família.
Os internos do complexo podem ficar de um a três anos em medida de segurança, de acordo com o resultado dos exames criminológico e de pericolosidade, segundo a diretora administrativa do complexo, a assistente social Isolda Borba Otero.
Há casos em que eles ficam mais tempo ou não têm perspectiva de serem libertados. Os internos só podem sair do complexo quando têm alguém responsável e não são mais considerados um perigo para a sociedade. Se o caso do Bandido da Luz Vermelha tivesse ocorrido no Paraná, ele não teria sido libertado, diz Isolda.





