Atendimento à Saúde Mental será reformulado
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quarta-feira, 08 de setembro de 2004
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
O atendimento à saúde mental em Londrina está começando a ser reorganizado. No final deste mês, deverá ser inaugurada a nova sede do Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) Conviver, no Jardim Alto da Boa Vista (Zona Norte), que vai atender urgências, emergências e os transtornos mentais severos e persistentes. Diferente do que acontece hoje em dia, os casos menos graves serão atendidos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), com suporte de equipes especializadas.
Com a inauguração do novo Caps Conviver, os outros atendimentos feitos na área de sa© úde mental também serão submetidos a mudanças, resolvendo problemas graves, como a convivência forçada de adolescentes e adultos na Comunidade Terapêutica Espaço Vida, localizada na Rua Luiz Modesto, no Conjunto Eucalipto (Zona Norte de Londrina).
O atendimento às duas faixas etárias vem sendo feito no mesmo local desde o final de outubro do ano passado, quando 28 adultos que vinham ocupando as imediações do Ginásio de Esportes Moringão (Área Central), gerando reclamações por parte dos moradores da região, foram transferidos para a Comunidade.
Criado em 2001 pelas Secretarias de Saúde e Assistência Social do município, o Espaço Vida foi concebido para atender crianças e adolescentes usuários de drogas, através de atendimento psicossocial, visando a reeducação e reinserção na sociedade.
Segundo a diretora Cristina Schurmann, a convivência gerou conflitos inevitáveis entre as duas faixas etárias. Ela conta que em janeiro foi obrigada a suspender temporariamente o atendimento à sua clientela original, formada por 18 adolescentes.
Após alguns dias os adolescentes voltaram e o atendimento aos adultos, que a princípio seria provisório, permaneceu. Passados 10 meses, sete dos ex-moradores do Moringão ainda estão na instituição, e ao contrário dos adolescentes, que passam a noite com as famílias, eles recebem assistência em tempo integral.
Segundo Miriam Senghi Soares, gerente de Saúde Mental do município, a proposta é que o fluxo de pacientes seja reorganizado por faixa etária, procedência e tipo de clientela. ''O Espaço Vida está sendo cadastrado no Sistema Único de Sa© úde (SUS) como Caps para álcool e drogas (Caps-AD), com captação própria de recursos, e deverá passar a funcionar em uma sede no centro da cidade.''
Com isso, Miriam esclarece que mudará a lógica do atendimento. Em vez de uma comunidade terapêutica, baseada na abstinência, o Caps-AD seguirá a filosofia de um centro de apoio psicossocial, com adoção da política de redução de danos.
Os dependentes químicos adultos serão atendidos na Vila Normanda, também com supervisão da equipe do Caps. Já os adultos que permanecem no Espaço Vida entrarão no fluxo normal de atendimento e será promovida sua reinserção social, segundo a gerente.
''Além de estarem desintoxicados, eles foram submetidos à vida comunitária, passaram por um amadurecimento da convivência com outras pessoas. Este é o momento de promover a reinserção.''
De acordo com Miriam, o trabalho desenvolvido no Caps-AD, somado ao que já vem sendo feito no Caps Conviver e no Caps-I, (que atende crianças e adolescentes com transtornos severos e persistentes) adequarão Londrina à proposta de política nacional de saúde mental do governo federal.


