A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza um leito para paciente queimado para cada 30 mil habitantes, o que significa que em todo o Paraná deveriam existir cerca de 340 leitos. No entanto, a realidade está bem distante da ideal. No Estado são dois hospitais de referência para atendimento a queimados: o Evangélico, em Curitiba, e Universitário, em Londrina. São 16 leitos em Londrina (10 na enfermaria e 6 na UTI) e 22 leitos adultos e 13 infantis na Capital. Segundo a secretaria estadual de Saúde, desse total apenas 10 estão credenciados pelo Ministério da Saúde para realizar atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Os números repassados pela Sesa justificariam um maior investimento no setor. No ano passado foram cerca de 870 atendimentos, sendo que o valor gasto com o tratamento dessas pessoas chegou a R$ 4,8 milhões.
Segundo o médico-chefe do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) de Londrina, Reinaldo Kuwahara, a grande maioria de pessoas atendidas é de outras cidades. ''São pessoas de Foz do Iguaçu, Toledo, Cascavel, Jataizinho, Arapongas e até de Curitiba, que são encaminhadas para cá quando não há vagas no Hospital Evangélico'', relata, explicando que o ideal seria que cada região do Estado tivesse um centro especializado.
Porém, Kuwahara completa afirmando que a quantidade de vagas sempre será insuficiente para atender a demanda. Ainda de acordo com o médico, profissionais da área que vêm de outros Estados para visitar o espaço relatam que sob a ótica da infra-estrutura o CTQ de Londrina não deve em nada com relação a outras unidades.
Custo
O custo de um leito para queimados gira em torno de R$ 1 mil, segundo Kuwahara. Se comparado ao custo de US$ 3 mil a US$ 5 mil de um leito nos Estados Unidos, o valor é baixo, mas o médico aponta que nos EUA os medicamentos e os curativos são mais modernos e caros. ''Eles possuem materiais que ainda não temos'', aponta.
O médico não sabe precisar qual a diferença de custo de um leito normal e um para queimados. ''Mas basta dizer que hospitais privados raramente investem em alas especializadas para queimados justamente devido ao custo'', aponta. Ele informa que em média os pacientes permanecem 33,7 dias em tratamento.
Em 2011 foram realizados 1.653 procedimentos cirúrgicos, dessas 1190 foram cirurgias plásticas. Ao todo foram realizados 136 atendimentos na UTQ e 47 pacientes foram a óbito. Em 2010 o CTQ de Londrina realizou 194 internações (60 crianças e 134 adultos).
Equipe
Ainda de acordo com o médico, cerca de 80 pessoas trabalham na unidade em Londrina. ''Temos várias enfermeiras e fisioterapeutas, sete cirurgiões plásticos, cinco anestesistas, seis intensivistas (médicos da UTI), um chefe cirúrgico, duas enfermeiras-chefe, nutricionistas, cirurgiões pediatras, equipe de limpeza, entre outros'', relaciona. Ele destaca ainda que o CTQ londrinense ainda não possui terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos, profissionais que também são importantes na recuperação do paciente.
A assessoria de imprensa da Sesa afirma que embora não possua alas especializadas em todas as cidades, todos os hospitais com unidades de terapia intensiva podem realizar o tratamento de queimados e ninguém está desassistido.
O Ministério da Saúde informa que há apenas 45 hospitais habilitados pelo SUS para o atendimento a queimados no País e mais da metade (27) está na Região Sudeste. (Com Agência Estado)

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