Atendimento à família evita que criança vá à rua
De Curitiba
A prioridade no atendimento à família dos meninos de rua é vital para retirar e impedir o retorno destes às ruas, afirmou ontem Angela Mendonça, diretora do Departamento de Integração Social da Criança e do Adolescente, órgão da Prefeitura de Curitiba. Angela disse concordar com o direcionamento dado ao tema pelo belga Michael Born, especialista em delinquência. Born disse, em texto publicado ontem pela Folha, que o problema do menor de rua de Curitiba só será solucionado com a criação e instalação de centros de desenvolvimento de famílias nos bairros. O belga foi orientador da pesquisa do psicólogo Gilberto Gnoato, que é professor da Universidade Tuiuti do Paraná.
Segundo a pesquisa, a violência familiar é a principal causa que leva as crianças às ruas (44%). O trabalho mostra ainda que 61,54% dos meninos, com idade entre 0 e 13 anos, usam drogas há menos de dois anos. O tempo coincide com o período em que eles vivem nas ruas 57,14% dos meninos afirmaram morar na área central de Curitiba há menos de dois anos. A pesquisa foi feita com 40 meninos de rua.
Por desconhecer a pesquisa, Angela não quis fazer comentários, mas disse que concorda com o pensamento do orientador belga. Segundo ela, a preocupação com as famílias dos meninos não é nenhuma novidade, já que as leis nacionais e as teorias acadêmicas destacam a importância do acompanhamento dado às famílias. A diretora de Integração Social afirmou que os projetos desenvolvidos pela prefeitura têm como um dos eixos principais exatamente a orientação e o atendimento às famílias dos menores.
Cerca de 1.500 crianças carentes participam dos projetos, conforme Angela. Ela firma que são desenvolvidas 15 atividades fora do turno escolar para tentar evitar o retorno das crianças às ruas. As atividades incluem capoeira, teatro, esporte, etc. e têm sido diversificadas para atender ao perfil de cada criança. Para Angela, os meninos são diferentes e têm dons diferentes, que precisam ser valorizadas para que o trabalho tenha sucesso.
Um dos programas, por exemplo, fornece uma cesta básica mensal desde que a família do menor participe das ações propostas, como reuniões e grupos de apoio. A frequência dos meninos na escola também é uma das condições.





