Em se tratando do atendimento a doenças cardiovasculares, cada minuto conta. A realidade, no entanto, é que na saúde pública os hospitais primários e secundários não possuem médicos especializados. Os pacientes precisam então ser encaminhados às instituições terciárias, demandando tempo e causando problemas com superlotação.
Uma solução vem sendo estudada em Londrina há um ano. Trata-se da telemedicina, que utiliza recursos tecnológicos para dispensar a necessidade de o médico estar presente no local do atendimento. O médico especialista em um hospital terciário pode fazer o diagnóstico na hora e orientar sobre o melhor encaminhamento a ser dado ao paciente. Esta rotina possibilitaria que mais pacientes fossem atendidos no local.
''A Cardiologia é a área da Medicina que mais pode se beneficiar da telemedicina, porque é tempo-dependente'', salienta Manoel Canesin, professor adjunto de Cardiologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e diretor do Centro de Treinamento de Emergência Cardiológica da instituição. Ele faz parte do comitê do projeto ''De peito aberto'', da Philips.
Em Londrina, a parceria entre esse projeto e a empresa de tecnologia Telcor-Telemedicina do Coração resultou no desenvolvimento de um software com o objetivo de criar um projeto-piloto de telemedicina cardiológica em Londrina. A Telcor atua há dez anos em todo o Brasil com uma solução de laudos diagnósticos de eletrocardiograma por telemedicina. Segundo Canesin e Antônio Nechar, cardiologista e presidente da Telcor, a empresa é uma das poucas do gênero no Brasil. A reportagem tentou contato por diversas vezes com a Philips, mas não obteve retorno.
Rede de trabalho
Espera-se ainda que, em outubro deste ano, o programa Telessaúde, do Ministério da Saúde, esteja implantado em todo o País. Londrina deverá ser uma das principais bases estruturais para a implantação deste programa no Estado junto ao Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), afirma o diretor de Urgência e Emergência da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), Vinicius Filipak.
''Cada minuto que passa, o músculo do coração morre até chegar à insuficiência cardíaca, principal doença que causa internações de pacientes acima dos 60 anos no Brasil'', continua Canesin. Com um sistema de telemecidina implantado, o sistema de saúde pública precisaria apenas de um médico especializado em uma central - um hospital terciário - conectado às outras unidades primárias e secundárias, explica o cardiologista.
A ideia é também formar uma rede de trabalho de segunda opinião. Mesmo sem profissionais capacitados nas unidades primárias e secundárias, depois de algumas consultas recebendo orientações do médico especialista, os funcionários das unidades já saberão como proceder nas ocorrências seguintes, ressalta Canesin. Desta forma, a telemedicina também se torna um meio de capacitação. ''Pela alta rotatividade na urgência e emergência, a telemedicina sempre vai estar protegendo as unidades primárias e secundárias, independentemente de o médico estar lá.''
Além de ajudar a salvar vidas, a medida viabiliza retorno de valor até três vezes maior que o investido inicialmente. Conforme Canezin, em Minas Gerais foram investidos em um programa de telemedicina cerca de R$ 16 milhões de 2005 a 2011 e o retorno foi 3,20 vezes maior: a economia gerada com maior número de atendimentos no local e menor encaminhamento de pacientes aos hospitais terciários neste período foi de R$ 51 milhões.

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