Atender os idosos, o próximo desafio
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de março de 1999
José Antonio Pedriali 
O prefeito Antonio Belinati considera o PAI a maior obra de sua terceira administração. E já está dando início aos estudos de um novo centro de saúde para atender os idosos, que deverá ser construído ao lado do PAI:
Folha - Como surgiu a idéia de construção do PAI?
Antonio Belinati - Ela foi amadurecendo a partir das imagens de um pronto-socorro, que se assemelha a um palco de guerra, com uma multidão angustiada à espera de atendimento. Um pronto-socorro é uma loucura.
Folha - E a partir daí sua idéia foi amadurecendo...
Belinati - Pois é, no meio daquela loucura estão muitas mães com seus filhos no colo, esperando, esperando... Diante desse cenário, é natural que a criança fique chocada e adquira um trauma em relação a hospitais.
Folha - E quando o senhor começou a pôr em prática o PAI?
Belinati - O PAI começou a se esboçar durante minha última campanha eleitoral. Minha preocupação básica, nesta área, era como dar o melhor atendimento possível às crianças e, ao mesmo tempo, separá-las dos adultos. Uma vez eleito, começamos imediatamente a elaborar o projeto do PAI e contamos para isso com o trabalho de profissionais de várias áreas e com o apoio sem limites da Secretaria Municipal da Saúde.
Folha - O novo serviço volta-se principalmente às crianças de baixa renda. E quanto às demais?
Belinati - É preciso que isto fique bem claro: o PAI é para todas as crianças, ricas ou pobres. Não há distinção. Tenho certeza que encontraremos no PAI filhos de gente pobre, sim, mas também de diretores de indústrias, professores, profissionais liberais. Sempre evitamos dizer que este será um serviço para os filhos dos pobres para evitar constrangimento. Pobre, rico - estas palavras não existem para o PAI.
Folha - O senhor trouxe recentemente o vice-presidente Marco Maciel para visitar o PAI. O que ele achou da obra?
Belinati - O PAI é uma obra diferente, que deixou o Maciel encantado. Ele até sugeriu que o PAI seja exportado para todo o Brasil e, se possível, para o mundo.
Folha - Além do atendimento diferenciado e completo para a criança, o que mais o PAI irá oferecer?
Belinati - Temos os equipamentos mais modernos do mundo e procuramos fazer a obra a mais bonita e agradável possível. O prédio dispõe de um grande aquário, pátios para as crianças brincarem, serviço de som com músicas infantis e TV, que estará funcionando 24 horas por dia somente com desenhos animados. Queremos que a criança se sinta bem e tenha vontade de voltar, sempre que necessário.
Folha - Como o senhor define o alcance social desta obra?
Belinati - Muito mais que a beleza arquitetônica do prédio, sua grande beleza reside justamente no alcance social desta obra, que é inédita no Brasil. Temos capacidade para atender 400 crianças por dia. Mas fazemos questão de ressaltar que as crianças não ficarão internadas lá. Elas ficarão, no máximo, seis horas, para observação, quando assim determinar o médico. Se for preciso interná-la, teremos até, e se for o caso, ambulâncias à disposição para encaminhá-la ao hospital. Destaco isso para evitar qualquer mal-entendido e que o PAI venha a ser acusado de displicência. O PAI prestará atendimento clínico e ambulatorial. E também fará exames de patologia. Internações, não.
Folha - O sr. foi com muita frequência ao PAI nos últimos dias. Por que tanto zelo?
Belinati - Foi preciso cuidar de todos os detalhes. Até os motoristas de táxi, por exemplo, foram treinados para dar o melhor de si no atendimento às crianças e seus pais. Tudo foi planejado e executado para aliviar a dor da criança enquanto ela for atendida, e atendida da melhor maneira possível.
Folha - De tudo o que o PAI dispõe, o que o sr. acha ser o mais importante?
Belinati - O que dá mais prestígio ao prefeito é a construção do PAI. No entanto, a grande obra é o laboratório que servirá a ele e a todos os postos de saúde municipais. Os equipamentos são os mais modernos do mundo, tornando o laboratório apto a realizar, e rapidamente, todo e qualquer exame patológico.
Folha - Que significado tem esta obra para o senhor?
Belinati - Significa uma grande realização. Onde hoje está o PAI era o quarto onde eu dormia quando adolescente, pois meu pai era ferroviário e lá ficavam as casas dos ferroviários. Um pouco mais adiante, está a Cidade da Criança, um pouco além - e sempre acompanhando o trajeto da antiga estrada férrea - o Centro Odontológico; ao lado do PAI está o Posto de Saúde José Belinati e, na direção do terminal rodoviário, a Maternidade, onde já nasceram mais de 20 mil bebês. São todas obras de minha autoria. Agradeço a Deus a oportunidade de executá-las, e elas serão a maior herança que deixarei de minha gestão pública a Londrina. Agora que o PAI está pronto estou dando início a que talvez seja a última grande obra desta administração - um centro de atendimento aos idosos.
Folha - Como será isto?
Belinati - Não sei ainda. Meu irmão Vladimir (diretor da Sercomtel e médico) ficou encarregado de dar início aos estudos. Mas terá de ser um centro integrado de atendimento aos idosos. Por enquanto, está sendo batizado de VÔ. Assim, fechamos a trilogia: a Maternidade (a mãe), agora o PAI e mais adiante o VÔ. E ele será construído no terreno ao lado do PAI. Com ele, vou fechar o ciclo.
Folha - O sr. disse que o VÔ será sua última grande obra, mas o sr. não pretende concorrer a um quarto mandato, o segundo consecutivo?
Belinati - A reeleição para prefeito ainda não está garantida. Se for proibida, considerarei a medida um casuísmo. Por que somente o prefeito não pode disputar a reeleição, se o presidente, o governador, os deputados, senadores e vereadores podem? Defendo a reeleição, sim, mas também que o prefeito deixe o cargo algum tempo antes da eleição.


