Curitiba - No feriado do Dia dos Professores, enquanto muitos respiram aliviados pelo descanso, outros lembram das dificuldades que a categoria, que envolve também os demais trabalhadores da educação, enfrenta no dia a dia.
Uma pesquisa realizada pelo Sindicato dos Professores do Estado do Paraná (Sinpropar), durante um Simpósio de Educação realizado em 2007, levantou que, de 200 professores entrevistados, 52% alegaram sofrer com estresse. Em segundo lugar houve empate entre dores nas costas e pernas, afetando 38%. O presidente do Sinpropar, Sérgio Gonçalves Lima, aponta a rotina cansativa, o acúmulo de atividades e a indisciplina dos alunos como fatores que ocasionam o estresse.
''Não dá para esquecer da moça da cozinha e do refeitório que, muitas vezes, fica em espaços pequenos, mal ventilados, quentes e carregam pesos sem nenhum equipamento de proteção'', afirma Edevalter Inácio Bueno, técnico em segurança do trabalho do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Paraná (APP-Sindicato). Esses funcionários também estão sujeitos aos Distúrbios Osteomusculares Relativos ao Trabalho (Dort), as doenças pelo esforço repetitivo.
Já o professor acaba sendo vítima de males não facilmente identificáveis como decorrentes da ocupação profissional. Para o médico do trabalho do sistema Fiep, Ricardo Villas Boas, o educador muitas vezes sofre de estresse e depressão por conta da sobrecarga, cobrança da família e dos superiores e tem que lidar, em alguns casos, com os problemas sociais dos alunos, além dos educacionais. Dos 56 mil professores do quadro do magistério do Governo do Estado, 1,2 mil estão atualmente afastados por motivos de saúde, sendo a maior parte relacionados a transtornos psicológicos/mentais, osteomusculares e de circulação.
Essa é uma das profissões que mais sofre de Síndrome de Burnout, uma doença psicológica caracterizada pelo esgotamento emocional. ''Ela está um pouco acima da depressão e pode caminhar para uma síndrome do pânico'', explica Bueno. O distúrbio torna o profissional mais agressivo, irritado, desinteressado, desmotivado, frustrado, depressivo e angustiado.
Professores também merecem uma atenção especial com relação às doenças de voz. Villas Boas, que coordena um programa de conservação da voz na Fiep, explica que o uso inadequado ou abuso da voz pode acarretar desde laringites agudas ou crônicas, nódulos vocais e até câncer nas cordas vocais. ''São vários fatores. Falar alto, não saber falar, tensão, estresse, ansiedade, alimentação e hidratação inadequada, falta de aquecimento, até a postura e a roupa influenciam'', explica.
Pensando em tudo isso, o Instituto Educa Brasil fará, hoje, um manifesto pelo resgate da autoridade e do respeito pelos profissionais da categoria, no auditório do Conselho Regional de Contabilidade, localizado na Rua XV de Novembro, 2987, a partir das 19 horas. A entrada é franca.

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