Atenção com o colesterol
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quinta-feira, 07 de agosto de 2014
Reportagem Local 
Londrina - Se você é daqueles que não abre mão daquela picanha "suculenta", adora pizza, lanches e outros tipos de comidas gordurosas, é bom ficar atento depois de ler esta matéria. Você pode estar incluso num grupo de risco que só cresce no Brasil nos últimos anos: de pacientes com colesterol elevado. E o que isso pode lhe trazer de ruim? Você é um sério candidato a desenvolver uma doença coronariana.
No Dia Nacional de Controle do Colesterol, lembrado hoje, vale novamente o alerta: a incidência de morte por doenças cardiovasculares tem crescido em dados alarmantes no mundo todo. Somente nos Estados Unidos, mais de um milhão de pessoas morrem por ano de infarto agudo do miocárdio sem sequer terem recebido o primeiro atendimento. No Brasil, onde as doenças coronarianas matam de 300 a 400 mil pessoas por ano, já é a primeira causa de mortalidade no país.
Recentemente a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) divulgou que 40% da população, algo em torno de 4 milhões de brasileiros, têm colesterol elevado. Esse é um dos principais fatores de risco para a morte súbita por infarto (que é a falta completa de oxigenação do músculo cardíaco), definitivamente apontada como um dos maiores vilões para a saúde do coração. Isso porque, além de favorecer o infarto agudo no miocárdio, o colesterol elevado pode, dentre outros males, provocar a obstrução das artérias da perna levando à trombose, bem como a obstrução da retina causando a cegueira precoce.
METAS DE LDL
A preocupação é tão grande que, em outubro do ano passado, a SBC colocou em vigência nova diretriz para baixar as metas de LDL o chamado colesterol ruim no sangue de pacientes de alto e médio risco, sobretudo, no caso das mulheres. "O que se nota nos últimos é o aumento da mortalidade por doença cardíaca e é possível que isso esteja ocorrendo pelo fato das metas estarem um pouco acima do que seria preciso no caso delas", diz o médico cardiologista do Centro do Coração de Londrina, Ricardo Rodrigues.
Antes da nova diretriz, as mulheres entravam para o grupo de risco quando a chance de sofrer um infarto ou derrame era de 20% em dez ano, o mesmo que ocorria com os homens. Agora, o alerta passa a valer com chances de 10%. "Hoje a mulher tem um modo de vida que não tinha na época das diretrizes antigas. Estão no mercado de trabalho, o que gera estresse, fumando mais, e os riscos de infarto consequentemente aumentaram. Um perfil que antes era de baixo risco, hoje não é mais", argumenta o cardiologista.
O nível limite aceito pelos médicos de LDL no sangue de um paciente de alto risco era de 100 miligramas por decilitro desde 2007, número que caiu para 70 com a nova recomendação da SBC. Em situações de risco intermediário, a redução é de 130 para 100.
ENERGIA
O colesterol é um tipo de gordura produzido pelo fígado que gera energia para garantir o funcionamento normal do organismo. Mas também está presente em certos alimentos que podem contribuir para aumentar essa taxa, a exemplo de carnes, ovos e derivados do leite.
Rodrigues explica que o colesterol é transportado no sangue em diferentes tipos de pacotes denominados lipoproteínas. A porção do colesterol LDL (Low-density-lipoprotein/lipoproteína de baixa densidade), também conhecido como mau colesterol, transporta o colesterol, inclusive dos alimentos, para o organismo. Já a porção do colesterol HDL (High-density-lipoprotein/Lipoproteína de alta densidade), também denominada de bom colesterol, remove o colesterol da corrente sanguínea.
O cardiologista conta que a função LDL produz placas de gorduras em excesso nas artérias que, acumuladas, podem ocasionar o fenômeno arteriosclerose craniana, ou entupimento da artéria. "Se uma artéria que supre sangue para o coração ficar entupida, a pessoa pode ter um ataque do coração. Se uma artéria que supre sangue para o cérebro ficar entupida poderá ocasionar um derrame", explica.


