Ibiporã - A Polícia Rodoviária Federal (PRF) quer apertar a fiscalização de veículos que transportam cargas perigosas de forma ilegal nas estradas paranaenses. Esse é o primeiro passo para a prevenção de acidentes e qualquer tipo de transtorno que possa decorrer dele, além de ser um crime.
Para colocar em prática essa ação e ainda capacitar os profissionais envolvidos, uma série de eventos foi realizada nesta semana nas regiões de Londrina, Cascavel (Oeste) e Ponta Grossa (Campos Gerais). "Queremos que essas práticas sejam anuais, pois o objetivo é treinar e integrar todas as equipes envolvidas quando há um acidente com carga perigosa. Apesar do baixo número de ocorrências desse tipo nessas regiões, quando eles acontecem, são sempre graves", comenta o inspetor da Polícia Rodoviária Federal, Junior Cavalcanti.
Na região de Londrina, neste ano foram registrados dois acidentes dessa natureza. O último ocorreu há pouco mais de uma semana em uma avenida da zona oeste. Um caminhão que transportava óleo diesel tombou e o produto se espalhou, forçando o bloqueio da via.
Cavalcanti não soube informar as estatísticas dos acidentes com carga perigosa nas rodovias federais do Estado, mas adiantou que ações de fiscalização de caminhões que transportam esse tipo de carga foram realizadas nesta semana. "Nós avaliamos a questão de licenças para o transporte da carga, sinalização adequada e até a documentação legal do motorista para esta prática. Nos três municípios envolvidos foram 1.279 autuações, sendo 474 só na região de Londrina", detalha.
Um dos pontos altos do cronograma da Comissão Estadual de Prevenção, Preparação e Resposta Rápida a Emergências com Produtos Perigosos foi ontem de manhã, com uma simulação de acidente com carga perigosa na BR-369, na curva da Jaqueira, em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina).
Cerca de 20 socorristas participaram do exercício que começou por volta das 9 horas e durou pouco mais de uma hora. "É uma ocorrência que tem suas especificidades de cuidados, de modo de atendimento, destinação do produto e atendimento às vítimas. A abordagem à vítima é diferenciada. Existe todo um cuidado para a descontaminação antes dela ser atendida", salienta o comandante do Corpo de Bombeiros de Ibiporã, tenente Rene Augusto Bortolassi.
A simulação despertou a curiosidade de todos os motoristas que passavam pelo local. Logo após o choque de um veículo na traseira de um caminhão que transportava um produto corrosivo (houve simulação do produto), os bombeiros isolaram o local com uma barreira de contenção para que nenhuma pessoa fosse contaminada.
Um produto em pó desintoxicante é jogado sobre o material químico e os socorristas trajados com um roupa nível A (própria para inibir qualquer tipo de contato com o produto corrosivo), montam um corredor de descontaminação com lona, mangueiras e piscinas. As vítimas são descontaminadas com água e só então atendidas por um médico. Um helicóptero do Grupamento Aéreo (Graer) da Polícia Militar foi utilizado para simular o deslocamento das vítimas para o hospital mais próximo.
"A responsabilidade do produto depois que ele vazou é do vendedor, comprador e do produtor. Eles devem providenciar a destinação correta dos resíduos", conta o tenente Bortolassi. Segundo o inspetor do Ibama, Lutemberg Mascarenhas, os danos ao meio ambiente também devem ser fiscalizados. "Vamos atuar em um segundo momento do acidente. Nosso trabalho é orientar profissionais de atendimento de urgência e emergência sobre a contenção do produto e monitorar o ambiente atingido. Além disso, vamos fiscalizar se o motorista tem autorização do Ibama ou do Estado para transportar esse tipo de carga", diz.
Na simulação também estiveram presentes o Núcleo de Defesa Social (Nudes), através da Defesa Civil de Ibiporã, Corpo de Bombeiros, PRF, Econorte, Ibama, Vigilância Sanitária, Sest Senat, entre outros órgãos.

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