Atenção agora é para a fronteira
O secretário de Saúde do Paraná, Armando Raggio, disse ontem em Cascavel que depois de a cólera ter sido cercada em Paranaguá, e de haver eficiente controle sobre outras doenças transmissíveis em outras regiões do Estado, as atenções da vigilância epidemiológica estarão voltadas para a fronteira com o Paraguai, para o combate à malária, febre amarela e dengue. Esta será a prioridade na vigilância, porque casos no país vizinho se refletem diretamente em cidades-pólo do Oeste paranaense, como Foz do Iguaçu, Cascavel e Guaíra, onde brasiguaios procuram atendimento, pela falta de estruturação do serviço de saúde no Paraguai.
Armando Raggio esteve na cidade para encontro com funcionários da 10ª Regional de Saúde e secretários municipais do setor, para avaliar o panorama de epidemias no Paraná.
Dengue - Segundo ele, o Paraná controlou a cólera em tempo recorde, quando em alguns países leva anos. O secretário acrescentou que, na região de Paranavaí, também estaria sob controle a dengue, com 25 casos, em alguns deles sem comprovação final com exames laboratoriais. No caso da fronteira com o Paraguai, disse que em duas semanas será realizado um grande encontro, em Foz do Iguaçu, com participação de organismos estaduais e federais, para definir ações de enfrentamento à doenças oriundas do vizinho País. Em Foz, um foco de malária está sob controle, mas no outro lado da fronteira há alta frequência de malária e em Ciudad de Leste há 260 casos de dengue confirmados.
Nós já ajudamos os paraguaios em outras situações, como a raiva canina, lembrou. Armando Raggio observou que cidades do Oeste paranaense onde há estrutura pública de Saúde acabam atraindo os brasiguaios em busca de atendimento, o que representa risco interno. O secretário comentou que o tratado do Mercado Comum do Sul (Mercosul), que integra Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, se revelou um acordo comercial sem nenhuma preocupação com aspectos sociais, e que há grandes diferenças entre as regiões dos países - as do Paraguai são as mais desprovidas de estrutura de Saúde pública e também privada.





