Até vizinhos viram Judas na malhação
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sábado, 11 de abril de 1998
Simone Mattos 
Kraw PenasVálvula de escapeMoradores de bairro em Curitiba malharam Judas catador de lixo: protesto contra falta de depósito Inimigos enforcados amanheceram ontem pendurados em árvores e postes de Curitiba. A tradicional malhação de Judas, que teve início na Europa há quase mil anos, funciona hoje como uma válvula de escape da população. Com um sentido menos religioso e mais de diversão ou manifestação política, o ritual continua conquistando adeptos.
A assistente administrativa Alba Iglesias, moradora do bairro Vista Alegre há 30 anos, nunca havia participado da manifestação. Neste ano ela fez seis bonecos, que foram linchados ontem ao meio dia. Sou católica, mas não fiz isto com nenhuma intenção religiosa. Foi só para dar uma força na brincadeira da gurizada, confirmou. O auxiliar de escritório desempregado, Fabiano Reis do Nascimento, 22 anos, contou que desde criança sempre participou da malhação.
Nascimento disse que 12 pessoas escolherem quem seriam os inimigos públicos e participaram da confecção dos bonecos. Isto já era feito por nossos pais e avós e hoje são as crianças que mais se divertem.
Desta vez, os escolhidos para Judas foram pessoas do próprio bairro. O Judas mais caprichado foi o que representa o dono do Silzeus Bar, explicou.
O filho do comerciante, Silzeu José Santos Júnior, rebateu a brincadeira e disse que a família já esperava por isso. É a dor de cotovelo da concorrência, só porque o nosso bar está sempre lotado, afirmou.
Moradores do conjunto Solar, no Bacacheri, fecharam a rua João Gulin e malharam um Judas que representava um catador de lixo. Eles protestaram contra a existência de um depósito de lixo, que se acumula há um ano no local.
A moradora Solange Maria Mincewicz explicou que pessoas de outros bairros despejam lixo no terreno, inclusive com caminhões, o que resulta em mau cheiro, além de atrair moscas e ratos. Queremos que a prefeitura tome providências.


