Cascavel - Um dos ambulantes que estão em greve de fome em frente à Prefeitura de Cascavel, desde anteontem, é Antônio Franklin, 71 anos, pai do vice-prefeito da cidade, Leonaldo Paranhos, atual presidente do Instituto de Pesos e Medidas (IPEM) do Paraná. Ele e mais um grupo decidiram protestar porque foram retiradas dos terminais de transporte coletivo. Franklin inclusive teve uma crise de pressão alta ontem à noite e precisou receber atendimento médico.
Em entrevista a uma rádio local, o vice-prefeito disse que já tentou várias vezes convencer o pai a deixar o trabalho de camelô. Ele alegou que não tinha conhecimento da volta de Franklin a Cascavel, pois há cerca de 15 dias tinha viajado para o estado do Mato Grosso. ''Eu sempre ajudei meu pai. Já tentei outros serviços, mas ele gosta de trabalhar no terminal'', declarou Paranhos.
Os ambulantes de Cascavel pretendem encerrar o protesto somente quando receberem garantia sobre a volta aos terminais. No início de dezembro, a Companhia Cascavelense de Transporte e Tráfego (CCTT) impediu o trabalho deles, argumentando falta de uma lei municipal que regulamente a atividade. Outra justificativa foi a grande quantidade de reclamações de usuários dos terminais.
O ambulante Aurélio Borges, conhecido como Carioca, disse que as cinco pessoas em greve de fome estão preparadas para passar o Carnaval acampadas na prefeitura. Outra opção possibilidade é montar acampamento em frente à Catedral Nossa Senhora Aparecida. Além dos que estão fazendo greve de fome, outros ambulantes permanecem no local. ''Passamos esta noite e vamos ficar quantas forem necessárias'', ressaltou Carioca.
Sobre o projeto de lei protocolado anteontem na Câmara para regulamentar a atividade, os camelôs não gostaram de saber que terão que fazer um rodízio a cada seis horas. ''Só para montar a bancada leva quase uma hora. Não vai sobrar muito tempo para trabalhar'', conclui Carioca.