Ana Carolina de Oliveira Teixeira é farmacêutica de uma rede de drogarias e confessa que a cada dois dias um cliente com comportamento hipocondríaco visita a loja em busca de remédio. ''Normalmente é uma pessoa que já sabe a doença que tem e qual é o medicamento específico e que não mede esforços para comprar até o produto mais caro, principalmente os de venda controlada.''
Conforme ela, quando o comportamento é exagerado, a recomendação é não vender e orientar o indivíduo a procurar um médico. ''Ele não se convence e o farmacêutico passa a ser encarado como uma pessoa que não quer ajudar'', lamenta Ana Carolina, comentando que com o surto de gripe A aumentou a procura por álcool em gel e máscaras, além das vendas de antigripais.
''Tem até quem procura o Tamiflu e quando descobre que o medicamento não está disponível nas farmácias xinga o governo porque queria tomar como forma de prevenção da gripe A'', revela a farmacêutica.
Dona de uma farmácia de manipulação no Centro de Londrina, a farmacêutica Rosemeire Yumi Teramae Gushiken lembra que a medicina homeopática trabalha a prevenção de doenças e não os sintomas. Mas, segundo ela, até nas farmácias de manipulação é possível identificar um hipocondríaco. ''Tem aqueles que tomam muito chá e até chá em excesso faz mal'', diz a farmacêutica, que quando percebe o transtorno em um cliente, deixa de vender o produto e orienta a pessoa a procurar um médico.
''O problema maior é quando o indivíduo não fica satisfeito com o não e vai de farmácia em farmácia até alguém lhe vender o medicamento'', opina Rosemeire. Para ela, a população brasileira ainda não tem consciência do mal causado pela automedicação. ''É mais fácil ir à farmácia que ao médico.'' (M.G.)

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