''Parece que hoje é natural: quem não corrompe, pelo menos se deixa corromper. Isto é gravíssimo.'' Assim o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), arcebispo de Salvador e cardeal primaz do Brasil, dom Geraldo Majella Agnelo, falou de um dos temas mais espinhosos para os brasileiros na atualidade, durante entrevista coletiva concedida ontem à tarde, pouco antes de presidir a missa de abertura das comemorações dos 40 anos de sacerdócio do monsenhor Bernard Carmel Gafa, sacerdote da Catedral Metropolitana de Londrina. Dom Geraldo trabalhou como arcebispo de Londrina entre os anos de 1982 e 1991.
Sobre a corrupção que reina no País, dom Geraldo a comparou a um câncer, que no começo atinge um órgão isolado, mas que se não for tratado toma conta de muitos outros, revelando, só aí, sua extensão e sua gravidade. ''A corrupção é a destruição da democracia. Ela vai contra a doutrina de justiça e de solidariedade.''
Ao se referir a Lula, o cardeal resumiu um sentimento que deve ser o de boa parte da população, e depositou um voto de confiança no ex-operário: ''Ele foi uma grande esperança. Agora, infelizmente, tem ao seu redor pessoas que estão contaminadas pela corrupção, que são impecilhos para o presidente realizar o governo que gostaria. Acredito que ele vai investigar todas as denúncias e tomar as medidas necessárias''.
Para dom Geraldo, um dos grandes desafios da Igreja hoje é evangelizar, com profundidade, os seus fiéis. ''Este é o objetivo geral da CNBB há 12 anos'', afirmou, para explicar, logo em seguida, o porquê desta preocupação em fazer as pessoas entenderem de uma maneira menos simplista o evangelho. ''A principal característica da sociedade atual são o subjetivismo e o individualismo. O homem está cada vez mais fechado, quase não há diálogo nas famílias. Estamos vivendo em um mundo relativista, em que até a religião é vivida por muitos como se fosse um bem de mercado, onde cada um adota apenas aquilo que a satisfaz e não tudo o que Cristo nos ensinou.''
O cardeal também lembrou que a preocupação com os rumos tomados pela sociedade moderna tem sido demonstrada pelo papa Bento XVI desde a época em que era cardeal. ''Por isso penso que ele está preparado para ajudar muito a Igreja e todo o episcopado a enfrentar os desafios do mundo atual'', ponderou. O cardeal revelou que conviveu com o cardeal Ratzinger durante os nove anos que morou em Roma, entre os anos de 1991 e 1999. ''Nos reuníamos constantemente'', disse.
De Londrina, dom Geraldo afirmou guardar ótimas lembranças.Demonstrando grande afeição pelo monsenhor Bernard, contou que ele foi sua minha primeira nomeação na cidade. ''O incumbi de ser o responsável pela Cúria, e não me arrependi'', falou, ressaltando as muitas benfeitorias feitas na Catedral pelo sacerdote. ''Ele é um verdadeiro pastor, também com capacidade para atender e aconselhar os fiéis.''

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