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Marcelo AlmeidaDetalhes importantesCristina, do Museu de História Natural, ao lado de um lobo guará empalhado: nenhum predador seria meticuloso para cortar as orelhas das vítimasOs ataques a ovelhas que têm criado pânico na zona rural de Campina Grande do Sul dificilmente seriam de um felino. A afirmação é da curadora do Museu de História Natural de Curitiba, Cristina Castellano. ‘‘A onça pintada, por exemplo, tem o instinto de destroçar as vítimas e não mutilá-las ou retirar o sangue’’, diz. Para ela, o ataque às ovelhas provavelmente faz parte de um ritual macabro, praticado por pessoas que estariam sacrificando animais em oferendas. O caso foi apresentado na edição de domingo da Folha.
Cristina tem certeza de que nenhum predador seria tão meticuloso a ponto de cortar as orelhas das vítimas e sugar o sangue delas. As unhas da onça pintada (animal carnívoro por excelência que ataca à noite e é comum na região onde há morte de ovelhas) são afiadíssimas. ‘‘Mas a onça rasgaria o corpo todo da ovelha para comer as vísceras da presa’’, explica ela, ao lado do bicho empalhado.
A curadora do museu acrescenta que é pouco comum a presença de lobos guarás na região de Campina Grande do Sul. ‘‘Eles aparecem mais no cerrado e, além disso, também se alimentam de frutos silvestres’’, conta Cristina. De acordo com ela, esse tipo de lobo, com patas semelhantes às do cachorro, normalmente atacaria um um galinheiro. ‘‘Não são animais agressivos, tanto que fogem se detectam algum homem por perto.’’
Nem a hipótese de o ataque partir de um puma (também conhecido por onça parda, pouco menor que a pintada e de hábitos idênticos), citada na reportagem de anteontem sensibiliza a bióloga. Cristina revela que registrou de ataques de pumas a ovelhas em chácaras da região de Curitiba há seis meses. ‘‘Porém, não houve nenhuma morte como essas mostradas na matéria’’, ressalva. A curadora do museu rejeita a possibilidade de criaturas extraterrestres terem executado as ovelhas.
Os ‘‘chupa-cabras’’ adquiriram nome e notoriedade há dois anos, quando houve uma série de ataques em regiões agrícolas da América Central. Ovelhas, cabras, bois, cachorros e veados tinham sido vítimas do misterioso predador.
‘‘Gostaria muito que os tufos de pêlos atribuídos ao ‘chupa-cabra’ fossem enviados para nós analisarmos’’, avisa Cristina. Em agosto do ano passado, uma equipe do Centro de Estudos e Pesquisas Exológicas (Cepex), grupo de ufólogos, recolheu supostas amostras de pêlos do ‘‘chupa-cabra’’. O material foi encontrado em fazendas localizadas nos municípios paulistas de Vargem Grande do Sul e São Roque da Fartura.
O pior ataque registrado no Paraná aconteceu na chácara Recanto dos Três, em Campina Grande do Sul. Foi na madrugada do dia 21 de fevereiro deste ano. O ‘‘chupa-cabra’’ atacou 25 ovelhas. Desse total, apenas duas escaparam ilesas. Outras 12 morreram e 11 ficaram muito machucadas.
Os ‘‘chupa-cabras’’ adquiriram nome e notoriedade há dois anos, quando houve uma série de ataques em regiões agrícolas da América Central. Cabras, ovelhas, cachorros, bois e veados tinham sido vítimas do misterioso predador. Na maioria dos casos, os animais mortos eram encontrados sem uma gota de sangue sequer. Os especialistas não conseguiram explicar o fenômeno.

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