Da redação
Os frequentes ataques de ‘borrachudos’, bastante comuns no verão, vão incomodar menos os curitibanos neste ano. Os constantes períodos com baixas temperaturas, a limpeza de rios e a aplicação de um biolarvicida estão contribuindo para a eliminação das larvas que dão origem ao inseto. A picada dolorida dos ‘‘borrachudos’’ provoca inchaços e reações alérgicas. Nas bacias dos rios Passaúna e Barigui, na divisa com os municípios de Almirante Tamandaré e Campo Magro, a infestação do inseto foi reduzida em até 95%, informou a chefe da Coordenação de Controle de Zoonoses e Vetores da Prefeitura de Curitiba, Maria Elizabeth Ferraz.
‘‘Como controlamos os maiores focos de infestação, nos afluentes do Barigui e do Passaúna, a situação está sob controle’’, garantiu. Ela disse que o desequilíbrio ambiental, provocado pela destruição das matas ciliares e pela poluição nos rios, favorece a proliferação dos borrachudos. ‘‘Lavar embalagens de agrotóxicos nos rios, por exemplo, mata os predadores das larvas do inseto. Assim, ele terá muito mais chances de sobreviver.’’
Desde outubro do ano passado, técnicos das secretarias municipais da Saúde e do Meio Ambiente estão fazendo um trabalho de limpeza e de aplicação do biolarvicida a cada 15 dias nos rios da região da Lamenha Pequena. Depois de remover os entulhos da água e das margens, é medida a vazão dos rios para se calcular a quantidade necessária do veneno biológico. O inseticida ataca o aparelho digestivo do inseto e não causa danos à natureza e nem ao homem.
Os borrachudos têm duas fases de desenvolvimento. Na água, as larvas se fixam pela parte posterior em plantas, pedras e em entulhos. A cabeça fica para que possa capturar alimentos. Por isso, os borrachudos se desenvolvem mais em águas correntes. Na fase alada (com asas), cada fêmea deposita de 150 a 600 ovos em cada ovulação. Elas necessitam de sangue para a maturação dos ovos e chegam a voar até mais de 100 quilômetros para conseguir alimento em aves ou mamíferos.
Os machos se alimentam de néctar de flores. O inseto tem hábitos diurnos e vive, em média, de três a quatro semanas. Para evitar a proliferação, que é mais rápida no verão, é necessário manter bons hábitos de higiene e limpeza nas regiões próximas a rios ou pequenos riachos.

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