Ataque misterioso dizima 66 ovelhas
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terça-feira, 05 de agosto de 1997
Maurício Borges Apucarana 
Josoé de CarvalhoLesõesTrês animais feridos e dois mortos são descarregados no Hospital Veterinário da UEL; especialistas não sabem que tipo de animal (ou animais) provocou ataque Um total de 66 ovelhas mortas e 19 feridas. Este foi o saldo de um ataque a um abrigo de ovinos, na madrugada de ontem, na Fazenda Vale do Sol, em Ortigueira (130 km ao sul de Londrina). Veterinários, policiais e empregados da fazenda ficaram assustados com o número de animais encontrados mortos e a violência com que foram atacados. O caseiro José Castorino Ribeiro, 25 anos, encontrou os animais mortos às seis horas da manhã. Entre os animais feridos, 14 foram sacrificados. O aprisco continha 130 animais.
Impressionada com o que viu no aprisco (abrigo de ovelhas), a veterinária Márcia Soares Ferrari não imagina que tipo de animal possa ser responsável pela carnificina. Márcia e o veterinário da fazenda, José Francisco Roncaratti, estiveram ontem na Fazenda Vale do Sol e descartaram qualquer possibilidade de as ovelhas terem sido atacadas por cães.
As ovelhas mortas e feridas apresentavam lesões perfurantes e cortantes, que foram feitas na altura da cara do animal, por um ou mais agressores, dotados de incrível força na mandíbula, avaliou a veterinária. Ela presta serviços a produtores rurais, através da prefeitura de Ortigueira.
Segundo ela, o mais surpreendente foi a cena que encontrou no local. Todos os animais mortos estavam amontoados num canto do abrigo. É como se eles tivessem sido separados conforme iam sendo abatidos, revelou Sônia. Não havia sinais de que as ovelhas tenham sido arrastadas.
Ao investigar o aprisco e os arredores, os dois veterinários afirmam que não encontraram qualquer vestígio dos animais agressores. Não existem pêlos ou pegadas, ou qualquer outro vestígio que indique a presença de felinos ou caninos, frisou Sônia Ferrari.
Diante das dúvidas, os veterinários decidiram enviar duas ovelhas mortas e três sobreviventes ao setor de patologia do Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Queimados Seguindo orientação dos veterinários, ontem mesmo o administrador e empregados da fazenda providenciaram a cremação dos animais mortos, utilizando óleo diesel. As ovelhas feridas também tiveram de ser sacrificadas. Todas, depois de queimadas, foram enterradas em valas.
O administrador da Fazenda Vale do Sol, Edilson de Assis, 28 anos, diz que nunca viu nada igual na sua vida. Ele explicou à Folha que o aprisco é um abrigo construído exclusivamente para abrigar ovinos. Seguimos todas as especificações técnicas indicadas pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), disse.
Entre outras finalidades, o abrigo serve justamente para evitar ataques de cães e felinos. As ovelhas por sua própria natureza são dóceis. Elas tornam-se presas muito frágeis para outros animais.
De acordo com ele, o aprisco tem o seu piso coberto por ripas, a 40 centímetros do solo. O local é protegido por uma cerca de balaústre, com altura de 1,20 metro, e cobertura de telhas de cimento-amianto.
Assis define o ataque como muito misterioso e até inexplicável. A casa do tratador fica a apenas 30 metros do abrigo e junto dele ficam gansos e marrecos e outros animais. Apesar da morte de 66 ovelhas, ninguém ouviu nenhum barulho, contou o administrador.
De acordo com ele, as ovelhas foram recolhidas às 18 horas e, antes de ir dormir, às 23 horas, o caseiro observou os animais. Ele disse que estava tudo normal.


