Josoé de CarvalhoLesõesTrês animais feridos e dois mortos são descarregados no Hospital Veterinário da UEL; especialistas não sabem que tipo de animal (ou animais) provocou ataque Um total de 66 ovelhas mortas e 19 feridas. Este foi o saldo de um ataque a um abrigo de ovinos, na madrugada de ontem, na Fazenda Vale do Sol, em Ortigueira (130 km ao sul de Londrina). Veterinários, policiais e empregados da fazenda ficaram assustados com o número de animais encontrados mortos e a violência com que foram atacados. O caseiro José Castorino Ribeiro, 25 anos, encontrou os animais mortos às seis horas da manhã. Entre os animais feridos, 14 foram sacrificados. O aprisco continha 130 animais.
Impressionada com o que viu no aprisco (abrigo de ovelhas), a veterinária Márcia Soares Ferrari não imagina que tipo de animal possa ser responsável pela carnificina. Márcia e o veterinário da fazenda, José Francisco Roncaratti, estiveram ontem na Fazenda Vale do Sol e descartaram qualquer possibilidade de as ovelhas terem sido atacadas por cães.
‘‘As ovelhas mortas e feridas apresentavam lesões perfurantes e cortantes, que foram feitas na altura da cara do animal, por um ou mais agressores, dotados de incrível força na mandíbula’’, avaliou a veterinária. Ela presta serviços a produtores rurais, através da prefeitura de Ortigueira.
Segundo ela, o mais surpreendente foi a cena que encontrou no local. Todos os animais mortos estavam amontoados num canto do abrigo. ‘‘É como se eles tivessem sido separados conforme iam sendo abatidos’’, revelou Sônia. Não havia sinais de que as ovelhas tenham sido arrastadas.
Ao investigar o aprisco e os arredores, os dois veterinários afirmam que não encontraram qualquer vestígio dos animais agressores. ‘‘Não existem pêlos ou pegadas, ou qualquer outro vestígio que indique a presença de felinos ou caninos’’, frisou Sônia Ferrari.
Diante das dúvidas, os veterinários decidiram enviar duas ovelhas mortas e três sobreviventes ao setor de patologia do Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Queimados Seguindo orientação dos veterinários, ontem mesmo o administrador e empregados da fazenda providenciaram a cremação dos animais mortos, utilizando óleo diesel. As ovelhas feridas também tiveram de ser sacrificadas. Todas, depois de queimadas, foram enterradas em valas.
O administrador da Fazenda Vale do Sol, Edilson de Assis, 28 anos, diz que nunca viu nada igual na sua vida. Ele explicou à Folha que o aprisco é um abrigo construído exclusivamente para abrigar ovinos. ‘‘Seguimos todas as especificações técnicas indicadas pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab)’’, disse.
Entre outras finalidades, o abrigo serve justamente para evitar ataques de cães e felinos. ‘‘As ovelhas por sua própria natureza são dóceis. Elas tornam-se presas muito frágeis para outros animais’’.
De acordo com ele, o aprisco tem o seu piso coberto por ripas, a 40 centímetros do solo. O local é protegido por uma cerca de balaústre, com altura de 1,20 metro, e cobertura de telhas de cimento-amianto.
Assis define o ataque como ‘‘muito misterioso e até inexplicável’’. ‘‘A casa do tratador fica a apenas 30 metros do abrigo e junto dele ficam gansos e marrecos e outros animais. Apesar da morte de 66 ovelhas, ninguém ouviu nenhum barulho’’, contou o administrador.
De acordo com ele, as ovelhas foram recolhidas às 18 horas e, antes de ir dormir, às 23 horas, o caseiro observou os animais. Ele disse que estava tudo normal.

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