Ataque de abelhas mata idoso
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segunda-feira, 13 de abril de 1998
Célia Baroni 
Agnole José dos Santos, 77 anos, foi atacado por um enxame de abelhas, perto de sua casa, no jardim Jatobá (zona sul), em Londrina, no sábado de manhã, e morreu vítima das picadas. Socorrido por vizinhos, ele foi levado até o Hospital Zona Sul, no Parque Ouro Branco, mas já chegou sem vida. O médico disse que qualquer pessoa teria morrido depois de um ataque tão violento, contou Deosdito Pereira dos Santos, filho de Agnole dos Santos. Segundo ele, entre o ataque das abelhas e a chegada ao hospital, passaram-se apenas cinco minutos.
O acidente aconteceu em um fundo de vale perto da casa de Agnole dos Santos, onde ele levava duas vacas para pastar. Todos os dias de manhã, dos Santos ordenhava os animais, levava o leite para a nora - esposa de Deosdito - e descia para o fundo de vale. O filho explica que, por volta das 9h40, uma vizinha ouviu gritos de homem vindos do fundo de vale e ficou preocupada. Agnole dos Santos sofria do coração.
Ela chamou minha mãe. Ao saber que meu pai estava no fundo de vale, as duas correram para saber o que estava acontecendo, diz. Encontraram Agnole dos Santos debruçado no tanque cheio de água de uma casa, tentando arrancar as abelhas do rosto e pescoço. Eram tantas que chegavam até a sair pelo nariz.
Os vizinhos se mobilizaram e imediatamente providenciaram um carro para transportá-lo até o hospital. Agnole José dos Santos morreu de asfixia mecânica por edema de glote. Segundo a família, ele não era alérgico, mas o número de picadas foi tão grande que o inchaço bloqueou o canal respiratório, levando-o à morte.
Agnole dos Santos deixa a esposa e sete filhos. Na sexta-feira estávamos todos reunidos e meu pai dizia que ia dar uma aliança de ouro para minha mãe, comentou Deosdito . Em junho, o casal completaria 50 anos de casamento. Ele foi enterrado no domingo, no cemitério José Anchieta (centro).
Ataques de abelhas não são comuns em Londrina. A coordenadora do Centro de Controle de Intoxicações (CCI) do Hospital Universitário (HU), Conceição Turini, informou que acontecem no máximo dois casos de ataques por mês na Cidade. Ela esclarece, no entanto, que só os casos mais sérios chegam ao hospital. Quando são poucas picadas e a reação é leve, as pessoas não costumam procurar o atendimento médico.
Se a pessoa não for alérgica, o organismo pode suportar até 50 picadas - dependendo do peso e idade - e apresenta sintomas incômodos como dor, vermelhidão e inchaço. Nesses casos, não há risco de vida. As crianças e pessoas idosas são mais sensíveis ao veneno.
Segundo Conceição Turini, mais de 50 picadas implicam em uma quantidade de veneno muito grande e podem levar a pessoa a choque anafilático. Em grande quantidade o veneno da abelha pode ainda provocar complicações no coração e nos rins.
Segundo o CCI, na maioria dos casos registrados de ataques de abelhas as vítimas são crianças. As abelhas só costumam atacar quando se sentem agredidas ou alguém mexe com elas, afirma.
Conceição Turini orienta as pessoas que forem picadas por abelhas a tomar cuidado na hora de retirar o ferrão. Explica que cada ferrão tem duas bolsas de veneno - uma em cada lateral - que acabam se rompendo se a pessoa não souber retirá-lo. Se, após a picada, a pessoa apresentar inchaço ou dores fortes, ela deve procurar imediatamente o atendimento médico, orienta a médica.


