Milton DóriaO veterinário Acyr Loures Pacheco, dirigente da Associação Paranaense de Criadores de Ovinos (Ovinopar) e secretário de agricultura de Guarapuava não estranharia um ataque de felinos em Ortigueira, mesmo com a mortandade tão grande. Ele cita um caso na sua região, com a morte de 46 ovelhas em uma única noite. Nos arredores foram encontrados rastros de suçuarana com filhotes já crescidos.
Pacheco explica que a onça parda, como os demais felinos, tem o costume de ensinar os filhotes a caçar. Uma ‘aula’ da gatona poderia ter consequências desastrosas em meio a um rebanho fechado. E com uma agravante, segundo Acyr: as ovelhas são muito curiosas e têm o costume de bater as patas dianteiras no chão diante do predador, na ilusão que possam espantá-lo. A consequência é que os predadores são provocados e reagem com violência. Num ambiente fechado, essa situação se agrava.

Centro Ecológico KlabinDomínios da onçaA imensidão na região da Serra da Piquira, com suas invernadas cheias de capões de mato, grotas e reservas florestais constituem excelente habitat para a suçuaranaSegundo Acyr, a lesão de dente provocada pelos predadores de ovelhas, felino ou canino, é praticamente a mesma. Quando é muito profunda, ela fura, quando menos profunda, rasga, dilacera. E geralmente, quando quer parar a ovelha, o predador ataca na cabeça. É assim, tanto com o cachorro quanto com a onça.
O ovinocultor narra casos de ataques a ovelhas em várias situações, com diferente número de mortes. Na sua propriedade, com manejo misto (bovino e ovino), cachorros mataram 25 ovelhas num ataque no campo. Ele também conta o caso curioso em propriedade de um amigo na Serra de São Luiz do Purunã. Alarmado com duas a três mortes por noite no aprisco, o criador montou um ‘poleiro’ próximo e colocou empregados para vigiar à noite. Um barulho no local revelou a assassina: nada mais que uma onça pintada, que conseguiu escapulir.

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