Da Sucursal

Marcelo AlmeidaDúvida históricaDeputado estadual Hidekazu Takayama, do PFL, que apresentou moção de repúdio à união civil de homossexuais: entre Chico Buarque e Adolf HitlerA repercussão da moção de repúdio apresentada pelo deputado estadual Hidekazu Takayama (PFL) contra o projeto de lei que autoriza a união civil entre pessoas do mesmo sexo pode ter abortado o encaminhamento de uma mensagem semelhante na Câmara Municipal de Curitiba. Uma moção de repúdio contra o mesmo projeto seria apresentada pelo vereador José Gorski (PDT), que passou a tarde de terça-feira tentando recolher assinaturas que garantissem a apresentnação do documento.
O vereador foi procurado ontem, mas não respondeu aos recados deixados em seu gabinete. Vereadores ouvidos pela Folha disseram que ontem a moção não circulou na Câmara, o que levou à interpretação de que Gorski pode ter recuado ou adiado a apresentação.
O vereador Gustavo Fruet (PMDB) é um dos que foram procurados por Gorski. Fruet diz que não se lembra dos termos empregados pelo colega no documento, mas afirma que já havia várias assinaturas de apoio à apresentação da moção.
Na Assembléia, a moção apresentada por Takayama foi aprovada na sessão de segunda-feira graças a uma distração dos deputados, que votaram sem prestar atenção ao assunto. Pastor evangélico, Takayama carregou no texto. Disse que a união entre pessoas do mesmo sexo é uma ‘‘imoralidade’’, oriunda de ‘‘espíritos imundos e das profundezas das trevas’’.
Ontem, o Grupo Dignidade, que defende os direitos de gays e lésbicas, divulgou nota chamando o deputado de ‘‘inimigo número um dos direitos humanos’’. O grupo diz que Takayama desrespeita a Constituição, que garante a igualdade de todos perante a lei, e mostra desinformação. ‘‘O projeto não trata de casamento, e sim de legalização de uniões estáveis, e não prevê a adoção de crianças’’, diz o presidente do Dignidade, Toni Reis.
Segundo ele, na próxima semana o grupo deverá promover manifestações de repúdio a Takayama em frente a igrejas evangélicas. Outra medida será o lançamento de uma campanha para esclarecer a população. Cartazes e folders perguntarão à população de que lado está: se ao lado de personalidades como Chico Buarque e Ruth Cardoso, que apóiam o projeto, ou de figuras históricas que discriminaram homossexuais, como Hitler e a rainha Vitória.

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