Assunto é tema de pesquisa em universidade
O consumo exagerado é um assunto tão atual que um grupo de professoras do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), em Londrina, montou uma pesquisa para avaliar o comportamento de consumidores na cidade. O projeto é financiado pela instituição de ensino e pela Fundação Araucária e reúne alunos dos cursos de psicologia e administração e marketing.
A professora do curso de psicologia Elen Gongora Moreira explica que o ato de consumir é regido por aspectos psicológicos. E o consumo compulsivo está sendo objeto desse estudo. As integrantes do grupo pretendem aplicar um questionário para cerca de cem consumidores em shoppings da cidade.
O objetivo é identificar informações como o sexo, a idade e o montante das dívidas acumuladas pelos consumidores compulsivos. As professoras explicam que a linha que divide o consumo compulsivo e o consciente é tênue. ''O ato de comprar traz um prazer imediato'', destaca Elen.
As consequências depois da satisfação momentânea podem significar, no entanto, uma dor de cabeça por um longo tempo. ''O consumidor é fundamental. Se as pessoas não comprarem, o mercado não cresce, o que é ruim. Só que a satisfação momentânea da compra é superada pela dor de cabeça do estouro do orçamento'', avalia a professora de economia Maria Eduvirge Marandola.
Outro fator de influência apontado pelas pesquisadoras é o marketing. O bombardeio de propagandas praticamente determina que os equipamentos velhos devem ser descartados. Por isso, explica Elen, as compras devem ser feitas de acordo com a consciência informativa. ''Cada pessoa tem que ter consciência de sua realidade financeira'', diz a psicóloga.
O equipamento que é o maior alvo da troca desenfreada de modelo é o celular. ''A pessoa não precisa necessariamente de um mega-celular. A pessoa precisa fazer as escolhas e ter equilíbrio'', ensina.
Para a professora de estatística Suzana Rezende Lemanski, o que leva a pessoa a consumir desenfreadamente é a necessidade de compensação, a mesma sensação experimentada por usuários de álcool ou drogas. ''O problema no Brasil é a cultura do ter. A pessoas são valorizadas pelo que têm e não pelo que são'', conclui. (F.R.F.)





