Assunto ainda parece ser proibido
A FOLHA entrou em contato com cinco colégios estaduais da cidade e constatou que em nenhum deles há um programa ou disciplina específicos sobre educação sexual. De vez em quando temos alguma palestra, mas é pouco. Sentimos falta de informações, reclama Cássia, 15 anos. A opinião dela e de Lucas é a mesma dos outros três estudantes da mesma faixa etária que se reuniram para a entrevista.
Para Maria (nome fictício), 17 anos, é fundamental que os adolescentes tenham muitas informações em relação à sexualidade. Ainda parece que é proibido falar no assunto. Não entendo por quê, questiona. Ela acaba de dar à luz um menino, seu primeiro filho. A gravidez não foi planejada. Aconteceu, a camisinha estourou, explica. Porém, apesar de se dizer feliz por ser mãe, ela confessa que preferia estar estudando. Tive que parar por conta da gestação, mas ano que vem quero voltar, pretendo um dia ser veterinária, diz a moça que cursava a 7ª série do ensino fundamental.
Já Larissa (nome fictício), com um jeito de falar ainda infantil aos 14 anos, diz que sua gravidez foi planejada. Juntei os trapos aos 13. Podia até ter engravidado antes. Ela acha normal o fato de ser mãe tão nova, mesmo estando impossibilitada de estudar. Sobre os planos para o futuro, ela se mostra otimista e ressalta que o filho não vai atrapalhar. Depois que terminar os estudos, vou por o nenê na creche e vou trabalhar. Um dia quero ser professora, finaliza. (W.S.)





