Assoreamento de rio pode comprometer manancial
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quinta-feira, 12 de junho de 1997
Vânia Moreira Umuarama 
Consideradas fundamentais para conter o assoreamento do Rio Piava, único manancial em condições de abastecer Umuarama, as obras de galerias pluviais no Parque das Jaboticabeiras estão paralisadas por falta de recursos. Nem mesmo a cobrança do Ministério Público consegue resolver o problema. Prefeitura e orgãos estaduais alegam não ter dinheiro para terminar o projeto. Por isso, vão se reunir terça-feira em Curitiba com o Secretário do Meio Ambiente, Hitoshi Nakamura, para tentar encontrar uma solução.
Para conter o assoreamento, a prefeitura e a Superintendência do Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa) firmaram convênio para construir 7 mil metros de galerias pluviais no Parque das Jaboticabeiras, três lagoas de retenção de água e mais mil metros de rede para que toda a água da chuva canalizada no bairro seja lançada no rio abaixo da estação de captação da Sanepar. A obra só foi iniciada ano passado por exigência do promotor Pedro Valter Torrezan. Mesmo assim, foram implantados apenas mil metros de tubulação.
Encarregada de fornecer os tubos (a parte mais cara), a Suderhsa parou de fabricá-los por falta de dinheiro. O chefe de gabinete da prefeitura, Valdir Miranda de Souza disse ontem que a prefeitura não tem condições de bancar a obra que precisa de R$ 366 mil para ser concluída.
Há quem defenda a participação da Sanepar nos gastos com a preservação do manancial, mas a estatal se nega a ajudar. Todas estas questões serão debatidas no encontro em Curitiba. Se os orgãos competentes não assumirem o problema e se cotizarem para resolvê-lo, eu moverei uma ação civil pública, ameaça Torrezan, que também participará da reunião.
Os problemas de assoreamento e poluição dos Rio Piava começaram há 15 anos, quando a prefeitura loteou uma área na cabeceira da nascente do Piava que não deveria ter sido ocupada. O bairro cresceu rápido e sem obras de infra-estrutura, comprometendo a qualidade da água consumida, até então considerada uma das melhores do Estado.
Até hoje, os moradores do Parque das Jaboticabeiras não têm escritura dos imóveis e muitas casas, construídas depois que a prefeitura proibiu a expansão do bairro, terão que ser removidas. Por causa do excesso de areia no rio, a Sanepar já é obrigada a fazer dragagem constante no reservatório da estação de captação para não comprometer o sistema.


