Coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Paulo Chiesa destaca que, assim como a gestão de bacias hídricas e a preservação do meio ambiente, os aterros sanitários podem ultrapassar os limites territoriais e municipais. "A própria Constituição Federal atribui responsabilidades compartilhadas às regiões metropolitanas. Na questão da destinação do lixo, aspectos técnicos devem ser levados em consideração para estruturação do associativismo."
Isso porque, de acordo com ele, para o gerenciamento de um aterro sanitário é preciso ter volume em escala de resíduos. "Muitas vezes, não há como tratar esse problema de forma unitária; é uma política contraproducente. Garantir que todos os municípios conseguirão cumprir essa exigência é uma ilusão. A atual situação requer uma nova cultura de planejamento e estudos apontam os consórcios como uma medida responsável, e não de desespero."
Questionado sobre o mau funcionamento e desvios de recursos em consórcios em outras áreas, Chiesa enfatiza a importância da participação dos conselhos e agências reguladoras, além da administração pública, na fiscalização. "É uma cultura nova que precisamos adquirir: a de participação da sociedade e maior cobrança de transparência e de que o prefeito não deve resolver tudo sozinho." (M.T.)

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