Associados do Jóquei Clube de Londrina não concordam com o preço de R$ 2,8 milhões que a prefeitura pretende pagar pela desapropriação do terreno que deverá abrigar um campus universitário, na zona oeste de Londrina. O prefeito Nedson Micheleti encaminhou à Câmara na segunda-feira passada pedido de abertura de crédito especial naquele valor para executar a desapropriação.
Os sócios dizem ser favoráveis à instalação do campus no local, mas questionam a avaliação feita por equipe técnica da prefeitura. ''Não vejo problemas na desapropriação, desde que fosse feita baseada em um preço justo'', disse o engenheiro Adir Ferreira, associado do clube desde a fundação e ex-presidente da comissão de corridas. O preço estimado para a área total de 12 alqueires é de aproximadamente R$ 6,5 milhões.
Outro sócio que tem uma posição parecida em relação ao assunto é Marcos Medeiros de Albuquerque, que defende a ''transparência do processo de desapropriação para que os sócios não sejam lesados''. Em abril do ano passado, Albuquerque entrou com ação na Justiça contestando os atos da atual diretoria do jóquei e conseguiu que uma assembléia que discutiria a proposta de compra do terreno fosse suspensa pela Justiça.
Albuquerque lembra que mesmo que os sócios fossem contra, não poderiam questionar uma decisão da prefeitura. ''O interesse público se sobrepõe ao interesse privado'', observa. Albuquerque não descarta, porém, a possibilidade de uma ação conjunta dos sócios contestando o valor pago pela desapropriação.
O sócio Licínio Barbosa, que é advogado, concorda que há grandes chances da avaliação da prefeitura ser impugnada. Ele também acredita que a ação já existente na Justiça contra a atual diretoria poderá retardar o processo de desapropriação do terreno.
Jorge Coimbra, secretário municipal de Governo, sócio do Jóquei e presidente da equipe técnica que avaliou a área, contesta essa possibilidade. ''A ação tem o objetivo de suspender uma assembléia, a Justiça até agora não decidiu nada, portanto não interfere em nada no processo.'' Segundo Coimbra, a avaliação foi baseada em critérios técnicos e no mercado.
O presidente do clube, Dalcy Mendes, diz que a desapropriação do terreno ''é um excelente negócio''. Segundo ele, o Jóquei vai ficar com uma faixa de terra de 39,8 mil metros quadrados próximo à BR-369, que na visão de Mendes, ''vai duplicar ou triplicar de preço'' depois que começar a construção do campus da universidade.
''O preço proposto pela prefeitura está aquém do mercado, só que até hoje só uma outra proposta de compra chegou até nós e alguns sócios foram contrários, entrando na Justiça para suspender a assembléia que discutiria a venda.'' A proposta, de acordo com Mendes, foi feita pelo grupo Sonae, que administra a rede de hipermercados Big e ofereceu R$ 6,5 milhões pelo terreno no início do ano passado.
Para o presidente do Jóquei, atualmente o terreno está segurando o progresso da cidade. ''Faz 30 anos que está daquele jeito e o clube não tem um centavo no caixa.'' Mendes defende que com o dinheiro da desapropriação o clube seja construído em outro local.

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