Associados acusam presidente da Adipar de cometer irregularidades
O presidente da Associação de Desenvolvimento da Indústria Informal do Paraná (Adipar), Francisco Negri Filho, está sendo acusado de improbidade administrativa, adulteração de documentos, estelionato e arbitrariedades na condução dos interesses dos cerca de 300 sócios que mantêm a entidade. Os sócios destinam 5% do valor das vendas de suas empresas para a associação.
A denúncia é feita pelo presidente do conselho fiscal da Adipar, Alexandre Caldeirão, pelo ex-tesoureiro Wilson Alberto Gibellato - que renunciou ao cargo no final de março -, um membro do conselho deliberativo, Antonio Carlos Paulino, e o ex-conselheiro fiscal, Marcos Morgan. As denúncias foram levadas ontem à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público.
Temos coisas absurdas, como rasuras em atas e cheques que foram sacados no caixa do banco sem a minha assinatura, que é exigência estatutária e legal, afirma o ex-tesoureiro Gibellato. Infelizmente, existe hoje em nossa associação uma série de desmandos cometidos única e exclusivamente para atender os interesses particulares do presidente, diz ele.
Os membros e ex-membros da diretoria da Adipar contrataram o advogado Wilson Maria Sella para representar contra Francisco Negri Filho junto ao Ministério Público (MP), porque a entidade - que não tem fins lucrativos e foi reconhecida como de utilidade pública por lei municipal - mantém convênios e recebe recursos financeiros de órgãos públicos. Eles iriam solicitar a Negri que renunciasse ao cargo na assembléia realizada ontem à noite.
Procurado pela Folha, Negri afirmou: Eles fazem parte de um pequeno grupo, que não quer o crescimento da Adipar, e tem interesses político-partidários com vistas às eleições municipais do ano que vem. Estas denúncias não têm qualquer fundamento. Tanto é que entregamos ao senhor Alexandre Caldeirão todos os documentos originais da entidade.
De acordo com Negri Filho, as pessoas que o acusam fazem parte de um grupo que não concorda com o avanço da Adipar e com a sua transformação de entidade municipal em estadual, ocorrida no ano passado já sob o comando dele. Assumi a associação a pedido dos sócios, porque a ex-presidente havia fugido da cidade deixando mais de R$ 25 mil de dívidas. Vim de maneira voluntária, não recebo nada para ocupar o cargo, e coloquei a casa em ordem.
O presidente afirma que não pretende renunciar ao cargo, mas que concorda em sair se esta for a vontade da maioria dos sócios. Estranho que digam que o banco tenha pago um cheque sem a assinatura do tesoureiro. Se isto ocorreu, temos que verificar onde houve o erro. Se algumas vezes temos tomados decisões com pouca participação, é porque pequena parcela de nossos sócios se dispõe - talvez por motivos particulares - a comparecer nas reuniões e assembléias, afirma o presidente da associação, que segundo ele conta com perto de 100 integrantes ativos. Mas, apesar das acusações infundadas, estamos aqui abertos à negociação com este pequeno grupo de produtores. Vamos tentar encontrar o melhor caminho para a Adipar.Mario CesarNa promotoriaCaldeirão (e) e Cabral: Desmandos para atender interesses particularesOsmani Costa





