Curitiba - A decisão do governador Roberto Requião (PMDB) de confiar a sargentos e subtenentes funções administrativas em delegacias do Interior revoltou as entidades que representam os delegados da Polícia Civil. O Sindicato dos Delegados da Polícia Civil (Sidepol) e a Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol) distribuiram nota chamando os responsáveis pela Segurança Pública no Estado de ''amadores e irresponsáveis'', acusando-os de estar fomentando uma ''guerra entre as polícias Militar e Civil''.
O motivo da revolta das entidades é o decreto assinado por Requião baseado em uma resolução do secretário de Segurança Luiz Fernando Delazari, que autoriza a efetivação de 170 sargentos e subtenentes na administração de delegacias do Interior. Após a extinção da figura dos ''delegados calças-curtas'' não aprovados por concurso público , os investigadores e escrivães dessas delegacias reportavam-se a um delegado de um município maior.
Apesar de Delazari ter afirmado que o decreto foi promulgado apenas para suprir a carência de quadros até que novos delegados fossem aprovados por concurso, a presidente do Sidepol, Valéria Padovani de Souza, acredita que a medida irá gerar uma guerra entre policiais. ''O respeito à hierarquia é um dos pilares da nossa instituição. Um investigador irá se subordinar apenas a um delegado de carreira'', disparou. Na nota, a Adepol convoca uma assembléia de delegados para ''dar um basta, mesmo que seja à força, nesta incompetência que se instalou no poder''.
O Sidepol pretende questionar a constitucionalidade do decreto na Justiça, alegando que a efetivação dos policiais militares equivale à volta dos delegados calças-curtas. Além disso, a entidade também questiona no Supremo Tribunal Federal (STF) a constitucionalidade do novo Estatuto da Polícia Civil elaborado pelo governo estadual, que designou dois membros do Ministério Público (MP) para ocupar postos no Conselho da Polícia Civil. O Sidepol alega que é vedado aos membros do MP ocupar outra função pública salvo a de magistério, o que já havia levado o Tribunal de Justiça (TJ) a afastar Delazari, que é promotor, da secretaria de Segurança.

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