Em 1995, com 44 anos, Pedro José Ferreira da Silva ficou cego em decorrência de um glaucoma, doença que atinge o nervo óptico e não tem cura. A doença, porém, não o impediu de ironizar a própria sorte, e ele, que é escritor, criou para si o pseudônimo de Glauco Mattoso. A história deste glaucomatoso (nome dado à pessoa que sofre com a doença) é bastante conhecida, mas o que pouca gente sabe é que a cegueira pode ser evitada com o diagnóstico precoce e uso de colírios específicos.
O problema é que esses medicamentos, segundo a Associação pelos Direitos da Visão, de Londrina, não chegam a todos os que precisam. ''São medicamentos de uso contínuo, e as pessoas muitas vezes não têm condições de pagar'', afirma Luís Martins de Lima, tesoureiro da entidade, lembrando que os colírios, a maioria com 2,5 ml, custam entre R$18 e R$120.
A associação, que tem 60 membros cadastrados, realizou uma reunião ontem de manhã para definir a realização de uma reunião com o Ministério Público e com a presença dos secretários municipal e estadual de Saúde para tratar do problema. ''Pretendemos, através do Ministério Público, entrar com uma ação para garantir o fornecimento desses remédios a todos'', explica Lima. O presidente da entidade, Jesonito Corrêa, acrescenta que os colírios ''fazem a diferença entre ficar cego ou não''. A associação reivindica ainda a criação de um centro de referência para o glaucoma na cidade.
Lima revela que, ao todo, cinco membros de sua família têm a doença, e há suspeita de que outros dois também possam estar com o problema. ''Descobri a doença faz cinco anos, e gasto perto de R$ 100 por mês com colírios. Isso pesa no meu orçamento, porque eu ganho salário mínimo'', revela o irmão de Lima, Domingos Vanderlei. Domingos conta que tem conseguido receber o medicamento mais caro na Vila da Saúde, mas que, assim como ele, todos deveriam ter esse direito. ''O médico disse que eu já perdi entre 25 e 30% de cada nervo. E que, se perder mais, posso ficar cego rapidamente. Para evitar isso, não posso deixar de pingar os colírios'', relata, lembrando que a doença, em sua fase inicial, é silenciosa.
''Já fiz três cirurgias, mas tive hemorragia e posso perder totalmente a visão do olho esquerdo'', lamentou Lourival Aparecido de Rezende, 51 anos, que, por causa da doença, teve que largar a profissão de motorista, exercida durante 26 anos. ''Uso três colírios, e não tenho condições de comprar. Preciso sair pedindo por aí'', confessa, acrescentando que, hoje, alerta as pessoas para que procurem um oftalmologista.
Serviço - A Associação pelos Direitos da Visão atende não só glaucomatosos, mas todos os que têm problemas visuais. O cadastro é gratuito, e pode ser feito pelo (43) 3357-0177, com Luiz.

mockup