Funcionando com cerca de 10% da capacidade total há quatro anos, o Mercadão do Povo, instalado no Jardim Ideal (Zona Leste), deve receber cerca de R$ 180 mil em investimentos para voltar à atividade plena, registrada até o ano 2000. Naquela época, vários atacadistas deixaram o local para trabalhar na Central de Abastecimento do Paraná (Ceasa).
O Mercadão do Povo é de propriedade de uma associação, criada há 17 anos como uma alternativa de venda para comerciantes descontentes com o sistema de trabalho da Ceasa. Segundo o atual presidente da Associação de Boxistas do Mercadão do Povo, Davi Rossa, a idéia foi tão bem sucedida que o espaço começou a ficar pequeno para os 52 produtores e vendedores de horifruti do Norte do Paraná.
''As dificuldades de espaço cresceram e os incentivos fiscais cedidos pela Ceasa a partir de 1998 atraíram os comerciantes de volta para lá'', lembra Rossa. O Mercadão, que já chegou a contar com quatro mil funcionários, hoje trabalha com menos de 400, em cerca de 20 empresas.
Como parte do plano de reaproveitamento do espaço, a Associação de Boxistas está investindo R$ 100 mil na construção de seis barrações para instalação de mais distribuidoras, dentro do espaço de 60 mil metros quadrados atuais. ''Também estamos cedendo dois terrenos no valor de R$ 40 mil cada, para uma cerealista e para uma empresa do mercado atacadista de carnes'', explica Rossa. O horário de funcionamento também deve passar por mudanças. ''Vamos passar a trabalhar das 4 às 10 horas, como forma de atender os comerciantes em um horário mais apropriado'', explica o presidente da Associação.
A possibilidade de geração de empregos para a comunidade local agradou o vice-presidente da Associação de Moradores do Jardim Ideal, Vandercy Garcia. ''A inutilização do mercado não foi prejudicial à comunidade. Mas todos sabemos que o Ideal tem um problema crônico de falta de empregos, e a retomada total das atividades no mercado com certeza nos ajudaria muito'', acredita.
''Mas o que esperamos da Associação de Boxistas é uma participação maior na comunidade, cedendo espaço para eventos, como feiras noturnas e reuniões. Não adianta ficar isolado no bairro se toda a mão-de-obra deve vir daqui'', cobrou Garcia.

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