Associação quer prevenir casos de insuficiência renal
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de julho de 1997
Vânia Moreira Umuarama 
Preocupada com a avanço da doença, a Associação dos Doentes Renais Crônicos de Umuarama (Arecure) planeja fazer uma campanha de prevenção da insuficiência renal. Para isso, está tentando obter doações de órgãos públicos e empresas privadas. O presidente João Dantas Tenório calcula que com R$ 1.500,00 seja possível imprimir material explicativo e fazer palestras, principalmente em escolas. O orçamento inclui a compra de um videocassete e um aparelho de TV para produzir e mostrar filmes com depoimentos dos doentes.
O número de doentes renais crônicos que fazem hemodiálise em Umuarama aumentou 18% em seis meses. Desde o início do ano, mais 20 pessoas passaram a depender da hemodiálise (filtragem mecânica do sangue) para sobreviver, enquanto esperam na fila por um transplante de rim.
Segundo o presidente da Arecure, a entidade já reúne 110 doentes, 60 a espera de um órgão para transplante e 50 transplantados. Até o final do ano passado, eram 90 associados. A equipe de transplante de rim do Hospital São Paulo faz uma média de um transplante por mês, a maioria de doador vivo. Os transplantes são poucos porque além da falta de doador, o que o Sistema Único de Saúde (SUS) paga não cobre os custos da cirurgia.
Tenório sustenta ser mais barato e simples prevenir do que tratar a insuficiência renal crônica. A maioria dos doentes são pessoas pobres e ignorantes que se tivessem recebido orientação poderiam ter evitado o problema. A insuficiência decorre de outras doenças que podem passar despercebidas, entre elas, a pressão alta e a diabetes, explica Tenório. Para os doentes crônicos, a única esperança é o transplante de rim, mas muitos morrem na fila a espera de uma doação.
A Arecure foi criada há quatro anos na tentativa de ajudar os doentes. A maioria dos pacientes da hemodiálise do Hospital São Paulo e do Instituto do Rim de Umuarama vem de outras cidades. Muitos não podem trabalhar, não conseguem se aposentar e, às vezes, não conseguem sequer os remédios que precisam tomar. Outros viajam duas ou três vezes por semana de ônibus e passam o dia em Umuarama, sem comer e sem ter onde ficar.
A associação alugou e tenta mobiliar uma casa perto da rodoviária para os doentes, mas esbarra em todo tipo de dificuldade. A Arecure depende de doações para se manter.


