Lúcio Horta
De Londrina
A implantação de um projeto de revitalização da área que envolve o Lago Igapó 2, sobretudo no trecho ao largo da Rua Bento Munhoz da Rocha, área central de Londrina, foi discutida ontem à tarde numa reunião entre a Associação de Moradores Altos do Igapó (Amai), Secretaria de Obras, Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) e Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul). O encontro foi realizado no gabinete do presidente da Câmara Municipal, Renato Araújo (PPB), e contou ainda com a participação do vereador Osvaldo Bergamin (PMDB).
Os representantes da Amai disseram que a reivindicação mais urgente dos moradores é a construção de calçada numa área de 2,7 mil metros de extensão, na Bento Munhoz da Rocha, ao lado do Igapó, a partir da Avenida Higienópolis até a Rua Prefeito Faria Lima. Embora o trecho seja muito utilizado para caminhadas, os moradores são obrigados a andar no meio do asfalto por falta de calçamento. E o pior: como a via é rápida, muitos acidentes, inclusive com mortes, já ocorreram no local. A obra teria 5,4 mil metros quadrados de calçamento, que custariam cerca de R$ 30 mil.
Também foram discutidas outras melhorias, como uma nova iluminação e instalação de lixeiras, bancos e equipamentos de lazer. O secretário de Obras, José Righi de Oliveira, lembrou que já existe no Ippul um projeto para revitalização do trecho. O problema, porém, é que parte da área está sob júdice e não poderia receber novas obras - o Ministério Público move uma ação contra a prefeitura por causa dos danos ambientais provocados pela construção do aterro do Igapó 2.
No final do encontro, ficou decidido que Ippul e Comurb iriam retomar o antigo projeto e a Procuradoria do Município seria acionada para avaliar se legalmente poderiam ser construídas novas obras no local, independentemente da ação judicial. Em seguida, quando tiverem uma proposta fechada, inclusive com a participação da Amai e consultas a institutos ambientais, o projeto será discutido diretamente com a Promotoria do Meio Ambiente. José Righi afirmou que em cerca de 25 dias a reunião na promotoria já poderá ser agendada.
Os representantes da Amai - que na semana passada fizeram ato público pedindo benfeitorias no Igapó 2 - ficaram otimistas com a reunião. ‘‘Vamos aguardar o tempo de tramitação normal desses projetos’’, disse José Luiz Massaro, vice-presidente da entidade. Eles ponderaram, no entanto, que se depois disso não houver encaminhamento de solução, novos protestos poderão ser realizados.
A promotora do Meio Ambiente, Maria Lúcia Reichenbach, disse ontem que não vê nenhum impedimento na construção de calçamento, desde que o recuo de 30 metros do lago até a obra seja respeitado. Sobre a ação do Ministério Público contra a prefeitura, ela explicou que o objetivo é a recuperação da área aterrada. Seja através da construção de um parque ecológico ou do desaterramento. ‘‘Qualquer melhoria que não comprometa essas duas alternativas pode ser feitas. A decisão é da prefeitura.’’

mockup