Associação quer cassar psicólogo que cura gays
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sexta-feira, 12 de junho de 1998
Eledovino Bassetto Junior 
O Conselho Regional de Psicologia da 8ª Região (Paraná) está com um abacaxi nas mãos: a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis (ABGLT) quer cassar o registro do psicólogo Carlos Catito Gryzbowski, sob a acusação de que ele atuaria profissionalmente tentando a recuperação de homossexuais por meio de um processo de redenção.
Grysbowski esteve nesta sexta-feira em Viçosa (MG), discutindo com outros 150 profissionais a recuperação de homossexuais, dentro das atividades da organização cristã Êxodus. Por telefone, ele afirmou não ter faltado com a ética em nenhum momento. Acredito que está havendo um absoluto desconhecimento sobre o nosso trabalho. Essa história de cura não está bem contada, porque em nenhum momento dissemos isso. O que fazemos é ouvir as pessoas que nos procuram e tentar ajudar, afirmou ele. Ele avalia ainda que está ocorrendo um patrulhamento ideológico, que seria até compreensível, uma vez que esses grupos que defendem os homossexuais foram muito perseguidos e agora talvez estejam querendo barrar qualquer manifestação contrária aos seus interesses.
Em Curitiba, o secretário-geral da ABGLT, Toni Reis, afirmou que considera inaceitável a prática de tentativas de cura de homossexuais, envolvendo a religiosidade. É que desde 1993 a própria Organização Mundial de Saúde deixou de classificar o homossexualismo como uma doença, e, assim, segundo Reis, isso caracterizaria conduta imprópria por parte do psicólogo. Queremos que o sr. Gryzbowski seja ouvido pela Comissão de Ética do CRP e se ficar confirmada a tentativa de cura de homossexuais, seu registro deve ser cassado, afirmou Reis.
A Associação coleciona uma série de denúncias contra instituições que se propõem a curar homossexuais. Uma delas refere-se ao Ministério Hermon, que também utilizaria métodos discutíveis para tentar recuperar os homossexuais. O microempresário Marcos Ferreira dos Santos, 22, passou pela instituição en 1994 e afirma ter sofrido um tratamento desumano. Eu sofri uma série de humilhações, com banhos frios, banho de lavagem e muitos estudos, que tentavam colocar culpa na minha cabeça pelo fato de eu ser homossexual, afirmou Marcos, que atualmente ganha a vida como microempresário e drag queen. Procurado pela reportagem, o Ministério Hermon não atendeu às ligações.


