O Conselho Regional de Psicologia da 8ª Região (Paraná) está com um ‘‘abacaxi’’ nas mãos: a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis (ABGLT) quer cassar o registro do psicólogo Carlos Catito Gryzbowski, sob a ‘‘acusação’’ de que ele atuaria profissionalmente tentando a ‘‘recuperação de homossexuais por meio de um processo de redenção’’.
Grysbowski esteve nesta sexta-feira em Viçosa (MG), discutindo com outros 150 profissionais a ‘‘recuperação’’ de homossexuais, dentro das atividades da organização cristã Êxodus. Por telefone, ele afirmou não ter faltado com a ética em nenhum momento. ‘‘Acredito que está havendo um absoluto desconhecimento sobre o nosso trabalho. Essa história de ‘cura’ não está bem contada, porque em nenhum momento dissemos isso. O que fazemos é ouvir as pessoas que nos procuram e tentar ajudar’’, afirmou ele. Ele avalia ainda que está ocorrendo um ‘‘patrulhamento ideológico’’, que seria até compreensível, uma vez que ‘‘esses grupos que defendem os homossexuais foram muito perseguidos e agora talvez estejam querendo barrar qualquer manifestação contrária aos seus interesses’’.
Em Curitiba, o secretário-geral da ABGLT, Toni Reis, afirmou que considera ‘‘inaceitável’’ a prática de tentativas de cura de homossexuais, envolvendo a religiosidade. É que desde 1993 a própria Organização Mundial de Saúde deixou de classificar o homossexualismo como uma doença, e, assim, segundo Reis, isso caracterizaria conduta imprópria por parte do psicólogo. ‘‘Queremos que o sr. Gryzbowski seja ouvido pela Comissão de Ética do CRP e se ficar confirmada a tentativa de cura de homossexuais, seu registro deve ser cassado’’, afirmou Reis.
A Associação coleciona uma série de denúncias contra instituições que se propõem a ‘‘curar’’ homossexuais. Uma delas refere-se ao Ministério Hermon, que também utilizaria métodos discutíveis para tentar recuperar os homossexuais. O microempresário Marcos Ferreira dos Santos, 22, passou pela instituição en 1994 e afirma ter sofrido ‘‘um tratamento desumano’’. ‘‘Eu sofri uma série de humilhações, com banhos frios, banho de lavagem e muitos estudos, que tentavam colocar culpa na minha cabeça pelo fato de eu ser homossexual’’, afirmou Marcos, que atualmente ganha a vida como microempresário e drag queen. Procurado pela reportagem, o Ministério Hermon não atendeu às ligações.

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