Curitiba - A Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar) elaborou uma contraproposta para o projeto de lei municipal antibagista, que proíbe o fumo em todos os ambientes fechados, inclusive casas noturnas e bares. O projeto, de autoria da vereadora Nely Almeida (PSDB) já está em tramitação e ainda não tem data de votação.
Na contraproposta, ficariam excluídos os bares, casas noturnas, clubes de dança, restaurantes, churrascarias, lanchonetes e estabelecimentos afins, com área superior a 100 m2, da proibição absoluta. Estes locais passariam a dispor um espaço reservado aos não-fumantes - salas especiais com proteção para garantir a saúde e o conforto desses clientes. O espaço não pode ser inferior a 50% da área de consumação do público.
Fabio Aguayo, presidente da Abrabar, afirma não ser contrário ao projeto de lei em tramitação na Câmara de Vereadores de Curitiba, mas que é preciso uma adequação no texto para não haver a exclusão de grande parte dos clientes. ''No caso das casas noturnas, a maior parte dos frequentadores é fumante. Do jeito que está a proposta apresentada pela vereadora, até as tabacarias teriam que proibir seus clientes de praticar o fumo'', argumenta.
De acordo com o presidente da associação, algumas casas já vêm buscando uma adequação, construindo espaços exclusivos para quem fuma, com equipamentos como exaustores e filtros de ar. Rafael Ghignone, dono de uma tabacaria na Capital, pede que a categoria de seu estabelecimento seja totalmente excluída da proibição. ''Nós trabalhamos com um público específico de fumantes. Mesmo assim temos exaustores e ar condicionados para dar conforto aos nossos clientes'', explica.
O procurador de Justiça Edilberto de Campos Trovão participou do encontro realizado ontem para dar apoio à contraproposta e sugerir alterações no texto. Para ele, a expressão ''saúde e conforto'' dos não-fumantes é preconceituosa. ''Dá a entender que os fumantes fazem mal a quem está ao redor, não acredito que seja assim. Acho que proibir o fumo totalmente em ambientes fechados ultrapassou todos os limites do razoável'', afirma.
Para Trovão, que conta ter escrito um manifesto tabagista brasileiro, mas não encontrou editora interessada no tema, se um estabelecimento tiver que pagar uma multa pelo cliente fumante, isto vai provocar uma exclusão automática deste cliente.
Foi anexado à proposta da Abrabar um parecer técnico elaborado pelo departamento jurídico da entidade, afirmando que a adaptação dos estabelecimentos, permitiria a ''convivência harmoniosa entre fumantes e não-fumantes''. A associação convidou o presidente da Câmara de Vereadores de Curitiba, João Cláudio Derosso, para participar da reunião e apresentar a contraproposta na casa de leis. Até o fechamento desta reportagem, o vereador não havia comparecido ao encontro.

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