Associação prepara abaixo-assinado
Ednelson Alves
Para contrapor a ofensiva do governo que quer proibir a venda e a posse de armas, foi criada no dia 21 de abril a Associação Nacional dos Proprietários e Comerciantes de Armas, com delegacias em diversos Estados. Um dos objetivos da nova entidade, segundo o delegado regional do Paraná, Emanuel Gomes de Oliveira, é conseguir um abaixo-assinado com 2 milhões de assinaturas para ser enviado ao Congresso.
Ele estima que em cerca de 20 dias perto de 500 mil assinaturas já foram coletadas pela ANPCA.Com esse documento, queremos abrir espaço para participar dos debates, apresentando idéias para efetivamente combater a violência no País. A simples entrega da arma é uma medida sem efeito. As estatísticas mostram que o comércio de armas no Brasil chegou a cair 85%, mas no mesmo período o crime e a violência continuaram aumentando.
Para Oliveira, há uma completa desinformação por parte da população sobre o perigo que representa o projeto de desarmamento proposto pelo governo. Na prática, isso significa que o cidadão de bem que tem arma registrada, com endereço fixo, sem antecedentes criminais, o qual tem que comprovar idoneidade para obter o porte, vai ficar de mãos vazias. Enquanto isso o bandido continuará armado fazendo o que bem entende. Ninguém pode confiar, diante da atual estrutura de segurança pública, que a polícia terá condições de dar segurança ao cidadão.
Na opinião do delegado regional, a proposta do governo é um equívoco muito grande e não terá nenhum efeito sobre o combate da violência. Pelo contrário, a tendência é aumentar a violência na medida em que o bandido sentirá menor resistência e maior facilidade para praticar o crime.
Ele cita o caso do Rio Grande do Sul, onde existem 48 mil portes de armas - contra 26 mil do Paraná - e apenas um processo contra um proprietário por uso indevido da arma. Isso prova que a arma registrada não é utilizada para a prática do crime, mas o bandido não pode e nem quer registrar a arma justamente porque seu interesse é apagar a prova do crime.
Juiz nas provas de tiro e também proprietário de comércio de armas, Oliveira estima - ninguém sabe qual é o número certo - que existem no Brasil em torno de 12 milhões de armas frias, sem registros, sendo que grande parte entrou no País por contrabando. Essas armas deveriam ser o alvo do governo para combater a violência e não aquelas que as autoridades sabem quem é o proprietário e onde ele mora.





