Associação odontológica faz 50 anos
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sábado, 25 de outubro de 1997
Osmani Costa Londrina 
Milton DóriaDesafioO presidente da Associação Odontológica, Pedro Tonani: Tratamento dentário ainda é muito caroNo dia 7 de setembro de 1947 - talvez aproveitando o feriado nacional, reservado para importantes acontecimentos naquela época - alguns dentistas se reuniram e criaram o Grupo de Estudos de Odontologia de Londrina. Estava lançada a semente que geraria, em poucos anos, a Associação Odontológica do Norte do Paraná (AONP). A primeira diretoria foi eleita em 1953, e era presidida por Alfredo Pugliesi.
As décadas se passaram, Londrina e o Brasil mudaram muito. O feriado da Independência da Pátria não é mais comemorado como antigamente; a maioria dos dentistas aproveita para viajar com suas famílias. Por isso, o aniversário da AONP passou a ser festejado no Dia Nacional do Dentista, 25 de outubro. Assim, o primeiro cinquentenário da associação foi comemorado ontem, com a festa de gala e a pompa merecidas.
Em sessão solene que seria realizada na noite de ontem, a Câmara Municipal - através de projeto assinado por 12 vereadores e aprovado por unanimidade - entregaria à AONP a Comenda Ouro Verde, em reconhecimento aos importantes serviços prestados à população londrinense nas últimas cinco décadas. Atualmente, a associação conta com mais de 800 sócios e é presidida por Pedro Tonani, mestre em clínicas odontológicas pela USP e professor nas universidades Estadual de Londrina (UEL) e do Norte do Paraná (Unopar).
A AONP funcionou de maneira precária durante as primeiros anos de existência, tendo como sede consultórios particulares e pequenas salas alugadas. Somente em 1974 - durante um dos três mandatos presididos por Edson Gradia -, a entidade inaugurou o tão sonhado prédio para sede própria, que funciona na rua Rolândia, no jardim Dom Bosco (área central).
Além de contar com a anuidade paga pelos sócios - que trabalham em Londrina e outros 40 municípios da região -, a associação sobrevive das taxas cobradas pelos frequentadores dos oito cursos oferecidos, em aperfeiçoamento e especialização nas áreas de Odontopediatria, Periodontia, Prótese Dentária e Endodontia. Os cursos, com aulas teóricas e práticas, são desenvolvidos na sede da entidade, que conta com três anfiteatros - o maior com capacidade para 300 pessoas - e um ambulatório com 12 equipamentos completos e modernos.
Pela sede da associação passam mensalmente cerca de 4 mil pessoas, na maioria dentistas e estudantes de Odontologia que vão participar dos constantes cursos, seminários, palestras em busca de aperfeiçoamento profissional. No ambulatório da AONP são atendidas, gratuitamente, perto de 12 mil pessoas por ano.
Estamos muito preocupados com o aperfeiçoamento profissional e a boa qualidade dos serviços prestados pelos nossos dentistas. Por isso, é da maior importância a nossa escola, que conta com renomados professores, de nível internacional, e é reconhecida pelo Ministério da Educação e pelo Conselho Federal de Odontologia, comenta Pedro Tonani. Segundo ele, a entidade está investindo também na capacitação do dentista no aspecto empresarial. Os tempos mudaram. A concorrência é grande. Além da qualidade dos serviços e da ética na profissão, os dentistas devem estar atentos para a questão administrativa e de marketing de seus consultórios, que cada vez mais devem ser encarados como empresas.
O Brasil conta hoje com aproximadamente 150 mil dentistas, que foram formados por 90 cursos em faculdades e universidades particulares e públicas. Em Londrina - que possui o curso nas duas universidades - trabalham perto de mil dentistas, o que equivale a um profissional para cada 450 habitantes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, uma boa equivalência é de um dentista para cada 1,2 mil pessoas. Isso significa que o mercado londrinense está praticamente saturado para os odontólogos.
O problema pode se agravar em breve, segundo Pedro Tonani, porque a UEL e a Unopar continuam colocando no mercado cerca de 100 novos dentistas todos os anos. Os recém-formados querem abrir consultórios em Londrina, não se dispõem a sair da cidade para trabalhar em outras regiões ou estados brasileiros. Existem centenas de municípios pequenos que não contam com um único dentista. Recebemos aqui, mensalmente, pedidos de indicação de profissionais por parte de prefeituras de cidades distantes. Mas ninguém que ir morar e trabalhar nelas, comenta Tonani.
Mas a grande quantidade de profissionais no mercado não significa que a população londrinense está sendo melhor atendida do que no passado. Houve muitos avanços tecnológicos, e a qualidade do profissional formado em Londrina é boa. Porém, apesar do discurso otimista do presidente da República, infelizmente não é verdade que os serviços dentários e para a saúde bucal estejam chegando a toda população mais humilde. O tratamento dentário ainda é muito caro no País, afirma o presidente da AONP.
Outro problema levantado por Tonani é a saturação do mercado profissional, que às vezes leva à concorrência desleal. Temos nos deparado com casos de falta de ética na profissão. Vários dentistas têm sofrido processos e reclamações no Procon, porque na busca desesperada por clientes acabam fazendo propaganda enganosa e prometendo mais do que podem oferecer, explica ele. Isso é muito sério. Devemos evitar os exageros e lutar com toda a força pela coerência e ética profissional, em todas as circunstâncias. A associação está muito preocupada com a situação e, por isso, tem promovido constantemente palestras, debates e seminários sobre ética e temas afins. Os dentistas devem ser, além de bem qualificados, claros, verdadeiros e honestos com seus clientes.


