Associação Médica diz sim a proibição de fumar em aviões
Mauro FrassonLuiz Carlos Beatriz, acostumado a viajar a trabalho toda semana: aguentar a fumaça dos outros já é difícil numa fila, imagine em um aviãoA Associação Médica Brasileira (AMB) acaba de oficializar seu apoio à proibição do uso de tabaco nas aeronaves brasileiras, determinada na última segunda-feira, ao emitir um documento que aborda os riscos à saúde causados pelo fumo a bordo.
Segundo a AMB, vários fatores ajudam a agravar os efeitos do tabaco dentro dos aviões, como o baixo nível de umidade nas aeronaves, o que dificulta o funcionamento do aparelho respiratório, tornando os poluentes mais irritantes e tóxicos. A pressurização da cabine gera redução do oxigênio, e o limitado suprimento de ar fica prejudicado pelo monóxido de carbono da fumaça dos cigarros. A fumaça também comprometeria a visibilidade dos pilotos e a saúde da tripulação, já que os aparelhos de ar condicionado espalham a fumaça por toda a aeronave, inclusive na cabine de comando. Isso sem falar no risco de incêndios causados pelos fumantes mais distraídos.
Mauro FrassonPara a estudante Alexsandra Bagi, quem não fuma pode ter o passeio prejudicado pelo incômodo causado pelos fumantesA proibição de fumar em aviões é resultado de uma liminar solicitada pelo Ministério Público Federal e concedida, na última segunda-feira, pelo juiz Guilherme Pinho Machado, da 4ª Vara Cível da Justiça Federal do Rio Grande do Sul. Até hoje, o Brasil era um dos poucos países onde o tabaco era proibido apenas na primeira hora de vôo.
Para o presidente da AMB, o paranaense Antonio Celso Nassif, será um sacrifício para os fumantes, mas fará bem para eles e principalmente para os não fumantes, além de ser um bom exercício para quem quer deixar o vício. Por se tratar de uma liminar, a proibição ainda pode ser derrubada. Mas esperamos que os juízes não o façam, pois é uma medida que beneficia todos os usuários do transpore aéreo, disse Nassif. Ele lembra que quem não acatar a proibição pode ser convidado a deixar a aeronave na primeira escala do vôo.
Mauro FrassonO fumante Abílio Lobo, fumante, diz esperar que a decisão de fato se mantenha. Não fumo dentro de um avião ou restaurante, dizA medida agradou os curitibanos, inclusive os fumantes. Acostumado com viagens semanais a trabalho, o gerente de obras Luiz Carlos Beatriz aprovou a proibição. Aguentar a fumaça dos outros já é difícil numa fila, imagine em um avião, declarou. A estudante Alexsandra Bagi concorda: quem não fuma pode ter o passeio prejudicado pelo incômodo causado pelos fumantes. O português Abílio Lobo, fumante, diz esperar que a decisão de fato se mantenha. Sou capaz de fumar um cigarro para acompanhar uma bebida, mas não dentro de um avião ou restaurante, afirmou.
A decisão de restringir o fumo foi baseada no artigo segundo da lei federal 9.294/96, que proíbe o uso de cigarros, charutos, cachimbos ou assemelhados em recintos coletivos privados ou públicos, salvo em área destinada a esse fim, arejada e isolada. Para o juiz Guilherme Pinho Machado, a saúde dos passageiros e tripulantes só será preservada no momento em que as aeronaves tiverem áreas separadas, inclusive com adaptação de ar condicionado, de forma a impedir a transposição de fumaça, isolando os não-fumantes. (P.G.)





