Associação Mãos Estendidas: dez anos mudando vidas
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sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
A ONG Associação Mãos Estendidas (AME) nasceu com a missão de oferecer atividades esportivas e oficinas no contraturno escolar. Mas uma grande ação que visa o bem sempre terá desdobramentos maiores, que às vezes até fogem do imaginário de quem as planejou. Dez anos se passaram e a história da entidade contabiliza um feito muito maior. Muito mais que ensinar o caminho correto às crianças, a instituição foi a responsável por mudar a triste rotina que acompanhava os moradores do Conjunto Novo Amparo.
O bairro, localizado na zona norte de Londrina, já foi considerado um dos mais violentos da cidade. Mas essa história começou a mudar justamente pelas mãos da AME. Moradores que anos atrás viviam sob o domínio do medo, agora já caminham tranquilos pelas ruas. Crianças jogam bola tranquilamente sem que seus pais se preocupem. "Mudou tudo. Está muito melhor hoje. Faz muito tempo que não vemos uma morte na rua, o que era comum antigamente. A AME foi uma luz para todos nós, o ambiente do bairro é outro, mais leve", descreve a cozinheira Dionizia dos Santos Teodoro, de 63 anos, que trabalha na entidade e mora no Novo Amparo.
Outra moradora, Edina Aparecida Lara da Luz tem um comércio no bairro e estava acostumada a ver crianças nas ruas fazendo "coisa errada". "Agora praticamente não vemos mais isso. Com a AME melhorou muito, esse foi o reflexo do trabalho", elogia ela, que tem um filho que frequenta entidade. "Aqui, elas aprendem a discernir o que é certo e errado, e também a viver em sociedade. Muitos deles já saem empregados também."
Como a Edina, muitos outros moradores enxergaram ali o lugar ideal para que seus filhos conheçam uma profissão e se afastem do caminho que insistia em tentá-los todos os dias. Muitos deram ali o primeiro passo no rumo que continuam a trilhar. E foi assim, ajudando a mudar a histórias das famílias que a AME deu outra cara ao bairro. Atualmente, a instituição atende cerca de 200 crianças de 5 a 14 anos, todas moradoras do Novo Amparo e dos vizinhos Felicidade e Santa Luzia.
A AME oferece nove tipos de oficina: aikidô (arte marcial), atletismo, basquete, balé clássico, ginástica artística, xadrez, música, ludoteca e arte e educação. "A gente trabalha com a ideia de aproveitar o contraturno escolar, eles passam quatro horas aqui, fazem duas refeições", conta a coordenadora-geral Viviane Kawasaki. Tem até uma padaria, construída recentemente com a ajuda de uma empresa parceira. Inicialmente era só para fazer o pão que serve a garotada, mas o sucesso foi tão grande que logo implantaram uma oficina de pães, e começou a vender também para a comunidade. "O pão tem um valor mais em conta, pois a ideia é que os moradores tenham uma opção mesmo, perto da casa delas", diz Viviane.
Um mundo novo que se abre todos os dias para quem precisa ir além. "Nossa ideia é mostrar a eles que existe um mundo cheio de opções além do Novo Amparo, onde eles não precisam temer a polícia. Por conta da realidade e das regras do tráfico muitos ficaram muito tempo sem nem sair daqui. Por isso estamos sempre levando eles para conhecer coisas que não tinham acesso antes, como apresentações culturais. A gente também traz muita coisa aqui para dentro também", frisa a coordenadora.
"E isso está aberto a todos. Tanto que aqui é tudo aberto, não colocamos muros altos nem nada. Justamente para não passar essa impressão de que é algo inatingível, fechado para eles. Isso aqui é da comunidade, basta entrar", reforça Viviane.
JANTAR
O décimo aniversário da ONG, comemorado em fevereiro, será celebrado com um jantar no próximo dia 20, no Buffet Planalto. Os convites, com valor individual de R$ 150, estão à venda pelo telefone (43) 3377-6560 ou pelo e-mail: [email protected]. A renda do evento será totalmente destinada à instituição.


