Associação impedirá venda de
produto suspeito de contaminação
Arquivo FolhaPromotor de Defesa do Meio Ambiente Sérgio Correa de Siqueira: ação contra a Sanepar
Lino Ramos
De Londrina
A Associação Norte Paranaense de Horticultores (Apronor) vai impedir a comercialização dos produtos considerados contaminados pelas águas do córrego Sem Dúvida nas Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa de Londrina). A associação também vai ingressar com uma ação de ressarcimento dos prejuízos contra a Sanepar, acusada de poluir o córrego.
A decisão foi anunciada ontem pelo presidente da Apronor, João Neto do Prado Sousa, durante uma reunião com representantes da Emater, seis produtores e o promotor designado para a Defesa do Meio Ambiente, Sérgio Correa de Siqueira. ‘‘Vamos tentar, juntos com a Emater, relacionar os produtos que serão erradicados e depois entrar com uma ação de indenização contra a Sanepar’’, adiantou.
A Apronor propôs ao MP a liberação das culturas que não são irrigadas com as águas do Sem Dúvida. Segundo ele, existem hortaliças produzidas no sistema de hidroponia, mas o proprietário utiliza poço artesiano.
O presidente da Apronor adiantou que os produtores irão fazer um monitoramento do córrego junto com a promotoria e se houver novo vazamento de esgoto, a entidade irá exigir que a Sanepar sofra uma multa diária.
Ontem a Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde de Londrina intimou quatro produtores para que não usem as águas do córrego no processo de irrigação. ‘‘Na segunda quinzena deste mês vamos colher amostras dos alimentos para serem analisados pelo Laboratório Central do Estado’’, adiantou a chefe de epidemiologia do órgão, Mara Ferreira Ribeiro. Segundo ela, também existem vários produtores de Ibiporã que estão utilizando o córrego Sem Dúvida para irrigação. A Apronor também deverá fazer um acompanhamento desses produtores que vendem seus alimentos na Ceasa.
De acordo com o promotor Sérgio Siqueira, técnicos do Instituto Ambiental do Paraná iniciam hoje um estudo sobre as condições técnicas da estação elevatória de esgoto da Sanepar, acusada de poluir o Sem Dúvida. ‘‘Os técnicos adiantaram que existe muita coisa fora da legislação. O próprio sistema extravasor é ilegal e não poderia ser ligado a um curso d‘água’’, informou.
Siqueira adiantou que irá fornecer todo o material jurídico que possui aos produtores, ‘‘para que eles procurem o ressarcimento dos prejuízos’’. Ontem à tarde, a assessoria de imprensa da Sanepar em Londrina disse que os diretores da empresa não podiam se manifestar sobre o assunto, porque não estavam na cidade.
O IAP recebeu ontem à tarde a informação de que um novo vazamento de esgoto poluiu o ribeirão Cambezinho, que abastece o Parque Arthur Thomas, principal área verde do município. O engenheiro Ricardo Vinícius de Oliveira Cruz, coordenador da área de manutenção, disse que uma equipe estava em campo tentando identificar o possível vazamento.

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